Qualidade de vida no trabalho

5 erros das empresas ao lidar com saúde mental

Renata Tavolaro - Head de Psicologia da orienteme e autora de autoridade em psicologia

Escrito por Renata Tavolaro

Head de Psicologia da orienteme | Psicóloga CRP 06/39083
Pós Graduada em Gestão de Pessoas e Terapia online/PUC, MBA em Gestão Estratégica/FGV com mais de 30 anos no atendimento psicoterapêutico presencial e online. Atuação com terapia cognitivo comportamental e programação neurolinguística.

Em um contexto em que a saúde mental no trabalho se consolida como um tema estratégico para organizações de todos os portes, muitas pequenas e médias empresas (PMEs) ainda enfrentam dificuldades para estruturar abordagens efetivas. Os erros das empresas ao lidar com saúde mental não apenas comprometem o clima e a produtividade, como também geram custos diretos e indiretos que poderiam ser evitados por meio de ações mais bem planejadas e alinhadas à realidade organizacional.

Por que esse tema importa para PMEs

Dados oficiais da Previdência Social mostram que, apenas em 2025, foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais (Capítulo V da CID‑10). Esse número representa um crescimento de 15,66% em relação a 2024, evidenciando que o adoecimento mental deixou de ser um fenômeno pontual.

Os diagnósticos mais frequentes foram transtornos ansiosos e episódios depressivos, que lideraram as concessões pelo segundo ano consecutivo. Outro dado relevante é o recorte de gênero: 63,46% dos benefícios foram concedidos a mulheres, indicando impactos desproporcionais e desafios adicionais para políticas de gestão de pessoas.

São Paulo lidera o ranking nacional de afastamentos por transtornos mentais, com 149.375 benefícios concedidos em 2025. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 83.321 afastamentos, e o Rio Grande do Sul, que registrou 46.738 concessões, concentrando juntos uma parcela significativa dos afastamentos por transtornos mentais no país.

Doenças do Capítulo V da CID 10 (transtornos mentais e comportamentais) que mais geraram concessão de benefícios por incapacidade temporária em todo o Brasil, em 2025:

2025
Código CIDDescriçãoConcessões
F41Outros transtornos ansiosos166.489
F32Episódios depressivos126.608
F31Transtorno afetivo bipolar60.904
F33Transtorno depressivo recorrente60.551
F19Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de múltiplas drogas e ao uso de outras substâncias psicoativas25.160
F43Reações ao stress grave e transtornos de adaptação23.773
F20Esquizofrenia18.686
F10Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de álcool12.758
F14Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso da cocaína7.627
F60Transtornos específicos da personalidade7.149

Para pequenas e médias empresas, esses afastamentos geram efeitos imediatos: sobrecarga das equipes, descontinuidade operacional e aumento de custos indiretos, tornando os erros na gestão da saúde mental ainda mais críticos.

Erro 1: tratar saúde mental como “benefício opcional”

Um dos erros mais comuns em pequenas e médias empresas é considerar a saúde mental como um tópico “nice to have”, algo que pode ser discutido apenas em campanhas esporádicas, sem conexão com a rotina de trabalho. Isso cria um ambiente em que a saúde psíquica é percebida como privilégio, não como necessidade.

Na prática, essa abordagem:

  • gera frustração entre colaboradores que esperam suporte real,
  • dilui o impacto de qualquer ação pontual,
  • impede a criação de uma cultura de prevenção.
erros das empresas ao lidar com saúde mental

Erro 2: não preparar lideranças para lidar com o tema

Em PMEs, líderes muitas vezes acumulam funções técnicas e operacionais, com pouca formalização em gestão de pessoas. Quando essas lideranças não estão preparadas para reconhecer sinais precoces de sofrimento ou conduzir conversas difíceis, problemas psíquicos não tratados evoluem para crises maiores.

Capacitar gestores é um passo essencial para:

  • detectar sinais de risco;
  • promover um ambiente de escuta ativa;
  • agir preventivamente antes de chegar ao adoecimento clínico.

Erro 3: promover ações pontuais em vez de contínuas

Promoções isoladas, como palestras avulsas, semanas temáticas ou benefícios pontuais, geram sinalização de cuidado, mas não estruturam práticas sustentáveis.

Uma ação contínua eficaz:

  • se integra ao cotidiano da empresa;
  • se baseia em dados internos;
  • possibilita ajustes ao longo do tempo.

Sem isso, a empresa corre o risco de:

  • gastar recursos sem retorno claro;
  • criar expectativas frustradas;
  • reduzir a confiança dos colaboradores.

Erro 4: ignorar sinais e indicadores simples

Muitas pequenas e médias empresas não monitoram indicadores que podem sinalizar problemas de saúde mental antes mesmo da manifestação clínica, tais como:

  • aumento de ausências injustificadas;
  • flutuações de desempenho;
  • conflitos recorrentes entre equipes;
  • quedas abruptas no engajamento.

Ignorar esses sinais significa perder janelas valiosas de intervenção precoce.

Erro 5: não integrar saúde mental à gestão de riscos

Mesmo em empresas menores, a gestão de riscos é um processo essencial. Subestimar a conexão entre riscos psicossociais e saúde mental impede que a empresa trate a questão como parte de sua governança e compliance.

A NR1, por exemplo, exige que riscos relevantes, incluindo psicossociais, sejam identificados, avaliados e controlados. Para PMEs, isso pode ser traduzido em ações proporcionais, simples e integradas ao seu sistema de gestão.

Como evitar esses erros (para PMEs / SMB)

1. Diagnóstico interno prático

Utilize ferramentas simples de coleta de informação:

  • entrevistas com líderes
  • conversas com colaboradores
  • análises de indicadores básicos

2. Planejamento gradual de ações

Comece com iniciativas de alto impacto e baixo custo:

  • rotinas de feedback
  • capacitação básica de líderes
  • ajustes em expectativas de carga e prazo

3. Monitoramento contínuo

Construa métricas simples:

  • absenteísmo por motivo psíquico
  • rotatividade voluntária
  • clima organizacional em ciclos curtos

4. Envolvimento da liderança

Coloque líderes na linha de frente:

  • como modelo de comportamento
  • como primeiros pontos de escuta

Como a orienteme apoia pequenas e médias empresas

A orienteme apoia PMEs na jornada de estruturação de saúde mental corporativa de forma escalável e adaptada à realidade operacional. Por meio de mapeamento de riscos, análise de dados e apoio estratégico ao RH e à liderança, é possível transformar ações pontuais em práticas consistentes e integrais à gestão de pessoas e riscos.

FAQ — Principais dúvidas

Saúde mental é responsabilidade da empresa?

Sim. Mesmo em pequenas e médias empresas, os erros das empresas ao lidar com saúde mental estão diretamente ligados a fatores organizacionais, que influenciam o bem-estar dos colaboradores e precisam ser gerenciados de forma estruturada.

Qual a relação com a NR1?

A NR1 requer que riscos relevantes, inclusive psicossociais, sejam identificados e controlados.

Onde começar?

Pelo diagnóstico, seguido de ações simples, monitoráveis e contínuas.

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