Qualidade de vida no trabalho

Alimentação no inverno: por que as empresas precisam rever a orientação nutricional nessa época

Fernanda Mondin é especialista em Nutrição e orientação física

Escrito por Fernanda Mondin

Head de Nutrição e Orientação Física na orienteme.
Formada há 12 anos em Nutrição e com MBA em Gestão de Saúde, ambos concluídos pelo Centro Universitário São Camilo. Possui grande experiência na área clínica e atuou em grandes grupos de saúde como Sulamérica e Teladoc Health.

A alimentação no inverno muda. O corpo muda. A demanda energética, o perfil de carências nutricionais, os padrões de sono e até o humor dos colaboradores sofrem variações sazonais que a maioria das empresas não considera ao estruturar sua orientação nutricional. O resultado é uma política de alimentação desenhada para o ano inteiro que, nos meses de frio, atende mal as necessidades reais da equipe.

Para o RH, o inverno é um período de maior atenção à saúde da força de trabalho. Gripes, resfriados e infecções respiratórias aumentam o absenteísmo. O humor dos colaboradores tende a ser afetado pela menor exposição à luz solar. A demanda calórica sobe. E os padrões alimentares individuais frequentemente pioram, com maior consumo de ultraprocessados, bebidas quentes açucaradas e refeições pesadas que geram sonolência pós-almoço.

Orientação nutricional sazonal é uma das intervenções de saúde corporativa com maior custo-benefício porque parte de um momento em que os colaboradores já estão pensando no tema. Uma política de alimentação saudável no trabalho que não considera as especificidades do inverno perde uma oportunidade concreta de reduzir afastamentos, manter produtividade e demonstrar cuidado com a saúde da equipe de forma contextualizada.

Este artigo apresenta o que muda na alimentação no inverno do ponto de vista nutricional, quais são os impactos específicos para o ambiente de trabalho e como as empresas podem adaptar sua orientação nutricional para o período.

O que muda na alimentação no inverno e por que isso importa para as empresas

As mudanças que o inverno produz no organismo não são apenas uma questão de preferência. São respostas fisiológicas ao ambiente que afetam diretamente a capacidade de trabalho, o estado de alerta e a resistência imunológica dos colaboradores.

Maior demanda calórica para termorregulação

O organismo gasta energia para manter a temperatura corporal. No inverno, especialmente em regiões com queda de temperatura mais intensa e em ambientes de trabalho mal aquecidos, essa demanda aumenta. Colaboradores que já chegam ao trabalho em jejum ou com refeições insuficientes tendem a sentir mais cansaço e dificuldade de concentração durante o período frio porque o organismo está direcionando recursos para termorregulação sem ter reserva energética adequada.

A alimentação no inverno precisa compensar essa demanda adicional com escolhas que ofereçam energia de forma gradual e sustentada, não com picos de açúcar que geram queda brusca de glicemia nas horas seguintes.

Queda de imunidade e maior vulnerabilidade a infecções

O inverno concentra circulação de vírus respiratórios e aumenta o tempo que as pessoas passam em ambientes fechados, o que facilita a transmissão. A alimentação tem papel direto na função imunológica: deficiências de vitamina C, vitamina D, zinco e ferro estão associadas a maior susceptibilidade a infecções e a recuperação mais lenta quando a doença se instala.

A vitamina D merece atenção especial. Ela é sintetizada principalmente pela exposição solar, e no inverno, com menos horas de luz e menos tempo ao ar livre, os níveis tendem a cair. Colaboradores com deficiência de vitamina D têm maior risco de infecções respiratórias, fadiga e alterações de humor, todos fatores com impacto direto no desempenho no trabalho.

Alterações de humor e maior risco de depressão sazonal

A menor exposição à luz solar no inverno reduz a produção de serotonina, neurotransmissor associado ao bem-estar e à regulação do humor. Em casos mais intensos, esse fenômeno se manifesta como Transtorno Afetivo Sazonal, uma forma de depressão ligada à sazonalidade. Em casos mais leves, que são muito mais comuns, se traduz em queda de disposição, maior irritabilidade, dificuldade de foco e tendência ao isolamento.

A alimentação no inverno pode atuar como fator de proteção nesse contexto. Alimentos ricos em triptofano, precursor da serotonina, como ovos, laticínios, leguminosas e sementes, e ômega-3, que tem papel na função neurológica e na regulação do humor, contribuem para manter o equilíbrio emocional durante o período frio.

Aumento do consumo de comfort food e ultraprocessados

O frio aumenta o apelo de alimentos quentes, calóricos e reconfortantes. Esse é um comportamento com base biológica e cultural, e não existe razão para combatê-lo de forma restritiva. O problema surge quando o comfort food do inverno é sistematicamente composto por ultraprocessados, bebidas açucaradas e refeições com alto teor de sódio e gordura saturada, sem nenhuma contrapartida nutricional.

Em ambientes de trabalho onde o refeitório ou as opções de lanche não foram adaptados para o inverno, o colaborador que busca alimento quente e reconfortante tende a escolher o que está disponível, não o que seria mais nutritivo. Essa é uma variável que a empresa tem condição de influenciar diretamente.

Redução da hidratação

No calor, a sede é um lembrete frequente. No inverno, a sensação de sede diminui mesmo quando o organismo ainda precisa de água. Colaboradores em ambientes com ar-condicionado ou aquecedor tendem a se desidratar sem perceber, o que afeta concentração, disposição e performance cognitiva da mesma forma que no verão, mas com muito menos percepção do problema.

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O impacto da alimentação no inverno na operação das empresas

Os efeitos descritos acima não são abstratos. Eles se traduzem em indicadores operacionais que o RH acompanha ao longo do ano e que, no inverno, tendem a piorar de forma previsível.

Absenteísmo por doenças respiratórias

Gripes e resfriados são a causa mais visível de absenteísmo no inverno. A maioria das empresas trata esse aumento como inevitável, sem considerar que a alimentação tem papel mensurável na resistência imunológica. Colaboradores com padrão alimentar mais equilibrado, com ingestão adequada de micronutrientes imunológicos, tendem a adoecer com menos frequência e a se recuperar mais rapidamente quando adoecem.

Uma estratégia de alimentação no inverno que inclua orientação sobre vitamina D, vitamina C, zinco e hidratação adequada pode contribuir para reduzir o pico de absenteísmo do período, com custo de implementação muito menor do que o custo das ausências acumuladas.

Queda de produtividade por fadiga e humor alterado

A fadiga do inverno não é mito. A combinação de menor exposição solar, sono de menor qualidade, alimentação mais pesada e menor atividade física produz uma queda real de energia e disposição que se manifesta como presenteísmo: o colaborador está presente, mas entregando menos do que poderia. Intervenções nutricionais simples, como orientação sobre alimentos que sustentam energia ao longo do dia e redução de picos glicêmicos, têm impacto direto nessa equação.

Maior pressão sobre o benefício de saúde

O inverno concentra consultas médicas, uso de plano de saúde e afastamentos de curta duração. Para empresas que monitoram sinistralidade, o período frio costuma ser o de maior pressão sobre o benefício. A nutrição preventiva é uma das poucas intervenções de saúde que atuam antes da doença se instalar, reduzindo a demanda sobre o sistema de saúde no momento de maior pressão.

Como adaptar a orientação nutricional para a alimentação no inverno

Adaptar a orientação nutricional para o inverno não significa criar um programa novo do zero. Significa ajustar o que já existe para o contexto sazonal, com comunicação, cardápio e orientação individualizada que reflitam as necessidades do período.

Adaptar o cardápio do refeitório ou as orientações de vale-refeição

Sopas, caldos, legumes cozidos, proteínas quentes e grãos integrais são as bases da alimentação no inverno nutricionalmente equilibrada. Se a empresa tem refeitório, o cardápio do inverno deve priorizar essas opções sem eliminar a variedade. Se a empresa usa vale-refeição, uma comunicação sobre como montar um prato equilibrado e quente nos meses frios já orienta escolhas sem impor restrição.

Comunicar sobre vitamina D e suplementação quando indicada

A deficiência de vitamina D é altamente prevalente no Brasil mesmo em regiões de clima ameno, e no inverno tende a se aprofundar. A empresa não prescreve suplementação, mas pode orientar os colaboradores a conversar com seu médico ou nutricionista sobre a necessidade de dosagem e suplementação durante o período. Essa comunicação tem custo próximo de zero e potencial de impacto significativo na imunidade e no humor da equipe.

Manter lembretes ativos de hidratação

A redução da percepção de sede no frio exige que a hidratação seja lembrada de forma ativa. Lembretes internos, disponibilidade de água e opções quentes como chás sem açúcar e caldos leves no ambiente de trabalho são intervenções simples que mantêm o nível de hidratação adequado sem depender da autopercepção do colaborador.

Orientação individual por nutricionista

A orientação nutricional genérica tem alcance limitado. Colaboradores com condições específicas, como diabetes, hipertensão, anemia ou histórico de depressão sazonal, precisam de orientações adaptadas ao seu perfil, não de uma comunicação corporativa padronizada. O acesso a nutricionista dentro do benefício de saúde da empresa é o que torna essa personalização possível em escala, sem depender de que cada pessoa busque atendimento por conta própria.

Integrar a comunicação nutricional à saúde mental do período

A relação entre alimentação no inverno e humor não é amplamente conhecida pelos colaboradores. Comunicar que determinados alimentos contribuem para manter os níveis de serotonina, que a hidratação afeta a disposição e que picos glicêmicos produzem queda de energia e irritabilidade cria repertório para que as pessoas façam escolhas mais conscientes, sem que isso soe como restrição ou julgamento alimentar.

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Como a orienteme apoia a nutrição dos colaboradores no inverno

A orienteme é uma plataforma B2B de saúde e bem-estar corporativo que integra psicologia, nutrição e orientação física em uma única solução. No inverno, o pilar de nutrição da plataforma oferece o suporte individualizado que torna a orientação nutricional sazonal efetiva na prática.

Para o colaborador: acesso a nutricionistas para orientação personalizada, com foco no contexto real de cada pessoa durante o período frio. O colaborador com histórico de baixa imunidade recebe orientações específicas sobre micronutrientes. Quem tem histórico de depressão sazonal ou alterações de humor no inverno tem suporte nutricional integrado ao suporte psicológico. Quem trabalha em turno noturno, quando a exposição solar já é mínima, recebe orientações adaptadas à sua rotina.

Essa personalização é o que diferencia a orientação nutricional que gera mudança de comportamento da comunicação genérica que é consumida e esquecida. O nutricionista que conhece o contexto de trabalho e a rotina do colaborador oferece orientações aplicáveis, não ideais impossíveis de seguir.

Para o RH: o portal corporativo permite acompanhar a adesão ao serviço de nutrição ao longo do ano, identificar períodos de maior demanda, como os meses de inverno, e planejar comunicações sazonais com base nos dados reais da equipe. A alimentação no inverno é um tema de entrada natural para colaboradores que ainda não acessaram o benefício de nutrição, e pode ser o ponto de contato inicial de um acompanhamento que se estende ao longo do ano.

A integração com psicologia e orientação física no mesmo ecossistema é especialmente relevante no inverno, quando humor, alimentação e atividade física se influenciam de forma mais intensa. O colaborador que começa com uma dúvida nutricional sazonal pode, no mesmo ambiente, acessar suporte emocional para lidar com a queda de disposição do período ou orientação de atividade física adaptada ao frio.

FAQ

Por que a alimentação no inverno é diferente das outras estações?

No inverno, o organismo tem maior demanda energética para termorregulação, menor síntese de vitamina D pela redução de exposição solar, maior vulnerabilidade a infecções respiratórias e tendência a alterações de humor pela redução de serotonina. Esses fatores combinados mudam as necessidades nutricionais do período e exigem uma orientação alimentar que considere essas especificidades, em vez de aplicar as mesmas recomendações do ano inteiro.

Quais alimentos são mais importantes na alimentação no inverno para manter a imunidade?

Alimentos ricos em vitamina C, como frutas cítricas, acerola e pimentão, apoiam a função imunológica. Fontes de zinco, como carnes magras, sementes e leguminosas, contribuem para a resposta imune. Alimentos com vitamina D, como peixes gordurosos e ovos, ou suplementação quando indicada por profissional de saúde, são especialmente relevantes no inverno pela menor síntese solar. Além disso, manter boa hidratação, que tende a cair no frio, é essencial para o funcionamento de todo o sistema imunológico.

Como o inverno afeta a produtividade dos colaboradores?

A combinação de menor exposição solar, alimentação mais pesada, menor atividade física e maior circulação de vírus produz queda de energia, fadiga e alterações de humor que se manifestam como presenteísmo. O colaborador está presente, mas com capacidade reduzida. A alimentação no inverno bem orientada, com foco em energia sustentada, micronutrientes imunológicos e alimentos que apoiam a produção de serotonina, é um dos fatores de proteção mais acessíveis para o RH influenciar nesse período.

O que a empresa pode fazer para melhorar a alimentação dos colaboradores no inverno?

As intervenções mais efetivas incluem adaptar o cardápio do refeitório para o período, com opções quentes e nutricionalmente equilibradas; comunicar sobre a importância da vitamina D e hidratação no frio; manter lembretes ativos de ingestão de água; e oferecer acesso a nutricionistas individualizados pelo benefício de saúde. A comunicação sazonal, que parte de um tema que os colaboradores já estão vivenciando, tende a ter maior receptividade do que orientações genéricas enviadas ao longo do ano.

Como a orienteme apoia a nutrição dos colaboradores no período de inverno?

A orienteme oferece acesso a nutricionistas com orientação individualizada, adaptada ao contexto do inverno e ao perfil de cada colaborador. Para o RH, o portal corporativo permite acompanhar a adesão ao serviço e identificar períodos de maior demanda para planejar comunicações sazonais. A integração com psicologia e orientação física no mesmo ecossistema é especialmente relevante no inverno, quando humor, alimentação e atividade física se influenciam de forma mais intensa e um suporte integrado gera resultado mais consistente do que serviços isolados.

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