Qualidade de vida no trabalho

Gestão de riscos psicossociais e impactos jurídicos

Renata Tavolaro - Head de Psicologia da orienteme e autora de autoridade em psicologia

Escrito por Renata Tavolaro

Head de Psicologia da orienteme | Psicóloga CRP 06/39083
Pós Graduada em Gestão de Pessoas e Terapia online/PUC, MBA em Gestão Estratégica/FGV com mais de 30 anos no atendimento psicoterapêutico presencial e online. Atuação com terapia cognitivo comportamental e programação neurolinguística.

A gestão de riscos psicossociais deixou de ser uma pauta restrita à área de saúde ocupacional e passou a integrar a agenda de governança corporativa. Em empresas de médio e grande porte, falhas na identificação e mitigação desses riscos podem gerar consequências jurídicas relevantes, passivos trabalhistas significativos e impactos reputacionais duradouros.

O avanço regulatório e o crescimento de ações judiciais relacionadas à saúde mental no trabalho transformaram a gestão de riscos psicossociais em um tema estratégico para conselhos, diretorias e áreas de compliance.

Ignorar essa dimensão não representa apenas descuido operacional, representa exposição jurídica.

Por que a gestão de riscos psicossociais se tornou tema de governança?

Tradicionalmente, a gestão de riscos corporativos concentrava-se em aspectos financeiros, operacionais e de segurança física. No entanto, a ampliação do conceito de ambiente de trabalho seguro passou a incluir fatores organizacionais como:

  • sobrecarga de trabalho
  • metas desproporcionais
  • ambientes de assédio
  • conflitos recorrentes
  • ausência de suporte da liderança

Esses elementos, quando negligenciados, podem contribuir para adoecimento mental e gerar responsabilização empresarial.

A gestão de riscos psicossociais passa, portanto, a integrar:

  • matriz de riscos corporativos
  • relatórios de compliance
  • políticas de governança
  • compromissos ESG

Não se trata apenas de bem-estar, mas de mitigação de exposição legal.

gestão de riscos psicossociais

O que caracteriza risco psicossocial sob a ótica jurídica?

Sob perspectiva jurídica, riscos psicossociais são fatores organizacionais capazes de gerar dano à integridade psíquica do trabalhador.

Quando há comprovação de que o ambiente de trabalho contribuiu para o adoecimento, pode-se estabelecer o chamado nexo causal entre atividade laboral e dano psicológico.

Esse nexo é frequentemente discutido em processos envolvendo:

  • depressão relacionada ao trabalho
  • transtornos de ansiedade
  • síndrome de burnout
  • estresse ocupacional crônico

A existência de políticas formais não é suficiente. O Judiciário tende a avaliar:

  • efetividade das medidas
  • registro de ações preventivas
  • evidências de monitoramento
  • postura da liderança diante de denúncias

É nesse ponto que a gestão de riscos psicossociais ganha centralidade.

Risco de ações por dano moral e nexo causal

Um dos principais riscos jurídicos associados à negligência na gestão de riscos psicossociais é a propositura de ações trabalhistas por dano moral.

Quando o colaborador comprova:

  • sofrimento psíquico
  • agravamento de condição emocional
  • omissão empresarial
  • ambiente organizacional hostil

a empresa pode ser condenada ao pagamento de indenizações.

O debate sobre nexo causal é central nesses casos. Ainda que o adoecimento possua múltiplas causas, a comprovação de contribuição relevante do ambiente de trabalho pode gerar responsabilização.

Empresas que não demonstram:

  • políticas estruturadas
  • registros de monitoramento
  • medidas corretivas documentadas

tendem a enfrentar maior vulnerabilidade processual.

Responsabilização objetiva: quando a culpa não precisa ser comprovada

Outro ponto relevante é a possibilidade de aplicação da responsabilidade objetiva em determinadas situações.

Em atividades consideradas de risco ou em ambientes onde há comprovação de exposição contínua a fatores psicossociais intensos, pode haver interpretação de que a empresa responde independentemente de culpa direta.

Isso significa que:

  • a simples comprovação do dano e do nexo pode gerar obrigação de indenizar
  • a ausência de intenção não afasta responsabilidade
  • falhas sistêmicas pesam mais do que condutas isoladas

A gestão de riscos psicossociais, nesse contexto, atua como instrumento de defesa preventiva.

Passivos trabalhistas e impactos financeiros

Além de indenizações individuais, empresas podem enfrentar:

  • ações coletivas
  • termos de ajustamento de conduta
  • autuações administrativas
  • aumento de provisionamento jurídico

Passivos relacionados à saúde mental costumam envolver não apenas indenização, mas também:

  • estabilidade provisória
  • reintegração
  • afastamentos prolongados

Quando múltiplos casos surgem na mesma área ou sob mesma liderança, o risco sistêmico se amplia.

Impactos em auditorias, certificações e ESG

Empresas de grande porte estão cada vez mais submetidas a:

  • auditorias internas e externas
  • avaliações de investidores
  • critérios ESG
  • processos de certificação

A ausência de gestão estruturada de riscos psicossociais pode impactar:

  • rating reputacional
  • avaliação de governança
  • percepção de cultura organizacional
  • relatórios de sustentabilidade

Investidores e conselhos tendem a exigir evidências de que riscos humanos estão sendo gerenciados com o mesmo rigor aplicado a riscos financeiros.

A gestão de riscos psicossociais passa a integrar o pilar “S” do ESG, influenciando diretamente a atratividade da organização no mercado.

gestão de riscos psicossociais

Compliance trabalhista e evidências documentais

Em ambiente regulatório mais rigoroso, empresas precisam demonstrar:

  • mapeamento de riscos psicossociais
  • planos de ação estruturados
  • monitoramento contínuo
  • capacitação de lideranças
  • canais seguros de denúncia

Não basta possuir políticas escritas. É necessário comprovar a execução.

A documentação adequada funciona como elemento de mitigação jurídica e fortalecimento de compliance trabalhista.

Como estruturar uma gestão preventiva de riscos psicossociais

A gestão de riscos psicossociais deve ser integrada ao sistema de governança corporativa.

Alguns pilares são essenciais:

1. Diagnóstico estruturado

Identificar áreas críticas e padrões organizacionais de risco.

2. Monitoramento contínuo

Acompanhar indicadores como absenteísmo, rotatividade e conflitos recorrentes.

3. Capacitação de lideranças

Treinar gestores para reconhecer e mitigar fatores de risco.

4. Registro e evidência

Manter documentação formal das ações adotadas.

5. Integração com compliance e jurídico

Alinhar saúde mental à matriz de riscos corporativos.

Essa abordagem reduz a exposição jurídica e fortalece a defesa em eventual litígio.

Gestão de riscos psicossociais como estratégia de mitigação

Empresas que tratam riscos psicossociais apenas como tema de RH tendem a subestimar sua relevância jurídica.

Ao integrá-los à governança, a organização:

  • reduz probabilidade de litígios
  • fortalece compliance
  • melhora reputação
  • demonstra diligência corporativa

A gestão de riscos psicossociais deixa de ser pauta assistencial e passa a ser instrumento de proteção institucional.

Como a orienteme apoia empresas na mitigação de riscos

A orienteme apoia empresas na estruturação da gestão de riscos psicossociais por meio de diagnóstico organizacional, monitoramento contínuo e desenvolvimento de lideranças.

Ao integrar dados, relatórios e acompanhamento estruturado, a empresa fortalece evidências de prevenção e reduz exposição jurídica.

Mais do que oferecer suporte emocional pontual, a abordagem contribui para consolidar práticas de governança alinhadas às exigências contemporâneas de compliance e responsabilidade empresarial.

FAQ

A gestão de riscos psicossociais é obrigatória?

A legislação trabalhista exige ambiente de trabalho seguro, o que inclui fatores que possam comprometer a saúde mental. A ausência de gestão estruturada aumenta exposição jurídica.

Empresas podem ser responsabilizadas por adoecimento mental?

Sim. Havendo comprovação de nexo causal ou omissão na prevenção, pode haver responsabilização e condenação ao pagamento de indenizações.

A documentação de ações preventivas reduz risco jurídico?

Sim. Evidências documentais fortalecem a defesa da empresa e demonstram diligência na mitigação de riscos.

Gestão de riscos psicossociais como diferencial competitivo

Em um cenário de maior escrutínio regulatório e reputacional, empresas que estruturam adequadamente sua gestão de riscos psicossociais não apenas reduzem exposição jurídica, mas também fortalecem sua posição institucional.

A prevenção estruturada transforma risco em vantagem competitiva, consolidando cultura organizacional mais segura e governança mais robusta.Acompanhe a orienteme no LinkedIn  para acessar análises e conteúdos técnicos sobre gestão de riscos psicossociais, compliance trabalhista e governança em saúde mental no trabalho.

gestão de riscos psicossociais

E-BOOK GRATUITO

e-Book Segurança Psicológica: o guia completo para criar equipes inovadoras​