A NR 1 atualizada marca uma mudança estrutural na forma como as empresas brasileiras devem compreender segurança e saúde no trabalho. A partir de 2026, o conceito deixa de se restringir a riscos físicos e passa a incorporar de forma explícita os riscos psicossociais, levando a saúde mental para o centro das obrigações legais.
Essa mudança reposiciona a NR 1 como um tema que extrapola o campo técnico da SST e passa a impactar diretamente a gestão de pessoas, a liderança e a cultura organizacional, especialmente em empresas de médio e grande porte.
Por que a NR 1 atualizada representa uma virada regulatória
Desde sua criação, a NR 1 esteve associada à prevenção de acidentes e ao cumprimento de requisitos formais de segurança física. No entanto, o avanço dos afastamentos por transtornos mentais tornou evidente que esse modelo era insuficiente para responder aos riscos reais do mundo do trabalho contemporâneo.
A atualização da norma formaliza um entendimento já presente em debates internacionais: o ambiente organizacional, as relações de trabalho e a forma como o trabalho é estruturado também adoecem e, portanto, precisam ser gerenciados.

O reconhecimento dos riscos psicossociais na NR 1
Com a atualização, fatores como:
- estresse crônico,
- sobrecarga de trabalho,
- metas irreais,
- falta de clareza de papéis,
- ambientes de medo ou conflito,
passam a integrar oficialmente o escopo de riscos ocupacionais que devem ser identificados, avaliados e controlados pelas empresas.
Na prática, isso significa que a NR 1 deixa de tratar apenas do “como se trabalha com segurança” e passa a questionar como o trabalho está organizado e quais impactos ele gera sobre as pessoas.
O impacto global e nacional do adoecimento mental no trabalho
O reconhecimento regulatório acompanha dados alarmantes. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que ansiedade e depressão resultam na perda de cerca de 12 bilhões de dias úteis por ano no mundo, gerando um impacto econômico aproximado de US$ 1 trilhão anuais.
Além disso, estudos recentes de mercado apontam um crescimento expressivo no uso de medicamentos para lidar com estresse, ansiedade e burnout, inclusive entre lideranças, o que evidencia que o problema não se restringe à base operacional.
O que muda na prática com o PGR
A principal materialização da NR 1 atualizada ocorre no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). O documento deixa de ser um instrumento técnico restrito à segurança física e passa a refletir aspectos centrais da cultura organizacional.
Não basta mais reconhecer que uma área apresenta alto nível de estresse. As empresas precisarão demonstrar:
- como esses riscos foram identificados,
- quais ações estão sendo adotadas,
- como a eficácia dessas medidas é monitorada ao longo do tempo.
Isso exige integração entre SST, RH, liderança e alta gestão.
O novo papel da gestão de pessoas e da liderança
Com a NR 1 atualizada, a gestão de pessoas deixa de ser apenas uma área de apoio e passa a ocupar papel estratégico no cumprimento regulatório.
Cabe ao RH e às lideranças:
- desenvolver capacidade de escuta qualificada,
- identificar sinais precoces de adoecimento,
- revisar práticas de gestão que geram risco,
- promover ambientes psicologicamente seguros.
A norma, na prática, exige letramento emocional organizacional, indo além de pesquisas tradicionais de clima e engajamento.
O que acontece com empresas que não se adaptarem
As penalidades previstas variam conforme o porte e a gravidade das falhas, mas os impactos vão além de multas. Empresas que negligenciam a NR 1 atualizada se expõem a:
- auditorias e fiscalizações,
- multas,
- passivos trabalhistas,
- deterioração do clima organizacional,
- queda de produtividade,
- riscos reputacionais.
Em um mercado cada vez mais atento a critérios ESG e governança, esses fatores se tornam decisivos para competitividade e sustentabilidade.
Como a orienteme apoia empresas na adequação à NR 1
A orienteme apoia empresas na integração da NR 1 à gestão de pessoas e à saúde corporativa, combinando dados, mapeamento de riscos psicossociais e governança.
Por meio de uma abordagem estruturada, a orienteme contribui para que o PGR reflita a realidade organizacional, indo além da conformidade formal e apoiando decisões estratégicas que reduzem riscos, fortalecem lideranças e promovem ambientes de trabalho mais sustentáveis.
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