Zona de conforto: uma dificuldade de lidar com mudanças, ou a paz de ter chegado onde gostaria?

ZONA DE CONFORTO

Existe uma antiga parábola que diz que, se colocarmos um sapo na água quente, ele se incomodará com o calor e saltará para longe, mas que, se colocarmos na água fria e formos aquecendo ela aos poucos, ele ficará lá até ser cozido, por não prestar atenção às mudanças em um ambiente que já conhece. Felizmente, para nós e para o nosso amigo sapo, essa premissa não é real, e o sapo saberá a hora de sair desse ambiente hostil. Já para nós humanos, entretanto, reconhecer quando um ambiente que nos é familiar está nos fazendo mal costuma ser bem mais difícil, chegando em alguns casos a gerar diversos tipos de prejuízo, seja à nossa saúde física e emocional, ou até à nossa vida financeira.

O humano é um ser que busca o equilíbrio o tempo todo. Mudanças são fisiologicamente estressantes e emocionalmente desgastantes, exigem uma readequação na nossa maneira de ver o mundo, de entender a nossa realidade e principalmente a nós mesmos, e em meio a tudo isso somos programados a economizar o máximo possível de energia, seja ela mental ou física. Ou seja, não dá para economizar energia nos reinventando o tempo todo, e é por isso que tendemos a gostar de rotina, de ambientes que já conhecemos, e que nos aproximamos com facilidade de situações que já nos são familiares.

Mas esse equilíbrio, que conhecemos tão bem como “zona de conforto”, não ganhou sua má fama à toa. Falar sobre uma necessidade fisiológica de economia de energia não é suficiente para compreender todas as implicações que ficar estagnado em um ambiente conhecido pode ter na busca por uma evolução pessoal. Em muitas situações o que se percebe é que a pessoa se encontra naquilo que podemos chamar de “inferno conhecido”, ou seja, ela reconhece que onde está na vida não é bom, mas não consegue mudar porque o desconhecido parece ainda mais assustador. Em outros casos as mudanças podem até estarem batendo à porta, mas o sujeito acaba por se desconectar emocionalmente da sua realidade, por sentir que não conseguirá lidar com o que está por vir, e geralmente nesses casos a pessoa luta ativamente para que a mudança não aconteça. Nessas situações é comum o abuso de álcool e drogas, ou ainda outros comportamentos em excesso, como jogar vídeo game ou então trabalhar demais. O objetivo de todos esses comportamentos é um só: evitar pensar sobre os próprios desconfortos, e chegar à inevitável conclusão de que uma mudança é necessária. A evitação ao novo pode fazer com que nunca pareça ser o momento certo para iniciar um novo projeto, para tentar um novo emprego, para se colocar em uma situação diferente.

A terapeuta americana Brené Brown traz ainda uma nova perspectiva sobre a zona de conforto: ela diz que, qualquer mudança na nossa vida exige, inevitavelmente, que fiquemos em uma posição de vulnerabilidade. A vulnerabilidade, segundo ela, é incômoda, pois envolve muitos sentimentos desagradáveis, como a vergonha, a rejeição e a raiva. Ela explica que, por mais controle que possamos tentar obter em nossas vidas, se sentir vulnerável não é uma escolha, e vai acontecer tentemos evitar ou não. A zona de conforto nessa situação, é essa tentativa que fazemos de não nos sentirmos vulneráveis, para não acessar essas emoções negativas. O que acontece, entretanto, é que a vulnerabilidade também é a porta de acesso para outras emoções às quais buscamos incansavelmente, como a alegria e a sensação de completude na vida. Ou seja, não há como evoluir sem ficar vulnerável.

Existem momentos, entretanto, que estar em uma zona de conforto não é algo ruim. Pessoas que são naturalmente inquietas, e que ficam constantemente se cobrando perfeição, que costumam só olhar onde não estão conseguindo ser bons segundo suas próprias métricas podem se beneficiar desse estado de espírito. Sentir que alcançou um objetivo, e que pode relaxar pode ser realmente benéfico para a auto estima, pois ajuda na percepção de que se é competente para o que é realmente importante na vida.

Não existe regra para determinar se a zona de conforto é boa ou ruim. Algumas perguntas podem ajudar a determinar se estar acomodado é algo que pode estar atrapalhando nosso crescimento, como: O quanto eu possa estar atuando para não precisar lidar com mudanças, como quando não aceito críticas ou me distraio das formas como mencionado acima? Ou então, que tipo de prejuízos eu posso estar tendo por não arriscar mais? Por exemplo, um problema de saúde devido a um horário de trabalho ruim, ou um salário insuficiente por falta de coragem para mudar de emprego. Já, se você nunca se sentiu bom o suficiente, e que sente que sempre deveria estar inovando mais, produzindo mais, será que não é o momento de olhar ao seu redor e aceitar o quanto você já fez por si mesmo?

Texto escrito por: Adriele Aguzzoli, psicóloga OrienteMe.

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Referências:

Buscando inspiração para sair da zona de conforto?

  • Livro: A coragem de ser imperfeito, Brené Brown – Editora Sextante
  • Palestra: A Call to Courage, Brené Brown – Netflix
  • Filme: Os Croods
  • Livro: Reinvente sua vida – Janet Klosko e Jeffrey Young – Editora Sinopsys

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