Com a NR-1 atualizada, o desafio das empresas deixou de ser apenas “estar em conformidade” e passou a ser comprovar, de forma objetiva e consistente, que os riscos ocupacionais, incluindo os riscos psicossociais, estão sendo efetivamente gerenciados.
Para organizações de grande porte, a adequação à NR-1 não se resume a possuir documentos formais, mas a demonstrar coerência entre diagnóstico, ação e gestão contínua, especialmente diante de auditorias, fiscalizações e exigências de governança.
Por que comprovar a adequação à NR-1 se tornou um tema crítico
A atualização da NR-1 ampliou o conceito de segurança e saúde no trabalho, incorporando fatores organizacionais, emocionais e relacionais ao escopo regulatório.
Isso significa que, a partir de 2026, não basta declarar que riscos existem. As empresas precisam demonstrar:
- como esses riscos foram identificados,
- quais medidas estão em curso,
- como os resultados são monitorados,
- e como a organização responde quando os riscos persistem.
O que mudou no conceito de comprovação após a NR-1 atualizada
Antes, a comprovação da NR-1 estava fortemente associada a:
- documentos técnicos isolados,
- foco exclusivo em riscos físicos,
- abordagem predominantemente reativa.
Com a NR-1 atualizada, a lógica muda. A comprovação passa a envolver:
- rastreabilidade de decisões,
- integração entre PGR, gestão de pessoas e liderança,
- evidências de que riscos psicossociais são tratados como riscos ocupacionais reais.
O que fiscalizações e auditorias passam a exigir na prática
Na prática, auditorias e fiscalizações tendem a avaliar:
- consistência entre o PGR e a realidade organizacional,
- atualização periódica do inventário de riscos,
- existência de planos de ação executáveis,
- registros de capacitação,
- evidências de escuta, monitoramento e prevenção.
Ou seja: a ausência de evidência é interpretada como ausência de gestão.
Checklist prático: como comprovar a adequação à NR-1
A seguir, um checklist executivo, alinhado às exigências atuais da NR-1:
Inventário de riscos documentado e revisado
É essencial demonstrar:
- metodologia utilizada,
- critérios de avaliação,
- periodicidade de revisão.

Plano de ação com responsáveis e prazos
Cada risco identificado deve ter:
- ação preventiva ou corretiva definida,
- responsável nomeado,
- prazo claro,
- acompanhamento registrado.
Registros de capacitação e treinamento
A empresa deve comprovar:
- treinamentos realizados,
- conteúdos alinhados aos riscos mapeados,
- participação dos colaboradores e lideranças.
Evidências de gestão dos riscos psicossociais
Incluem, por exemplo:
- canais estruturados de escuta,
- análise de indicadores (absenteísmo, afastamentos, conflitos),
- ações preventivas documentadas.
Integração entre áreas e empresas parceiras
Em ambientes compartilhados, deve haver:
- alinhamento entre empregadores,
- planos conjuntos de prevenção,
- registros de reuniões e decisões.
Documentação organizada e acessível
Todos os registros precisam estar:
- atualizados,
- organizados,
- disponíveis para auditoria ou fiscalização.
PGR atualizado e coerente
O Programa de Gerenciamento de Riscos deve refletir:
- riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais;
- a realidade atual das atividades;
- integração com outros programas (PCMSO, LTCAT).
Principais erros das empresas ao tentar comprovar adequação
Entre os erros mais frequentes estão:
Na prática, um dos erros mais comuns é tratar o PGR como um documento estático, elaborado apenas para cumprir exigências formais. Quando o Programa de Gerenciamento de Riscos não é revisado periodicamente e não acompanha mudanças na organização do trabalho, ele deixa de cumprir sua função como instrumento de gestão e passa a representar fragilidade em auditorias e fiscalizações.
Outro problema recorrente é mapear riscos sem desdobrá-los em planos de ação efetivos. Identificar perigos sem definir medidas de controle, responsáveis e prazos demonstra ausência de governança e dificulta a comprovação de que a empresa atua de forma preventiva, conforme exige a NR-1.
Também é frequente a subestimação dos riscos psicossociais, que ainda são tratados por algumas organizações como questões subjetivas ou fora do escopo regulatório. Com a NR-1 atualizada, essa omissão se torna crítica, já que fatores como estresse crônico, sobrecarga, conflitos e ambientes de medo passaram a integrar formalmente o conjunto de riscos ocupacionais.
Outro equívoco é confiar exclusivamente em pesquisas de clima ou engajamento como evidência de gestão. Embora essas ferramentas forneçam percepções importantes, elas não substituem métodos estruturados de identificação, monitoramento e controle de riscos psicossociais exigidos pelo PGR.
Por fim, a falta de registros formais de decisões, ações e acompanhamentos compromete toda a comprovação regulatória. Na ausência de evidências documentais, iniciativas realizadas deixam de existir do ponto de vista legal, ampliando significativamente a exposição da empresa em fiscalizações, auditorias e questionamentos trabalhistas.
Essas falhas fragilizam a comprovação e ampliam a exposição regulatória.
O papel do RH, SST e da liderança na comprovação da NR-1
A adequação à NR-1 não é responsabilidade exclusiva da SST. Ela exige:
- RH atuando como articulador de dados e cultura,
- lideranças capacitadas para identificar riscos,
- integração entre áreas técnicas e estratégicas.
A comprovação regulatória passa, cada vez mais, por governança de pessoas.
Como a orienteme apoia empresas na adequação à NR-1
A orienteme apoia empresas na estruturação da adequação à NR-1, integrando gestão de pessoas, riscos psicossociais e governança.
Por meio de dados, mapeamento estruturado e apoio estratégico, a orienteme contribui para que a comprovação da NR-1 vá além do documento formal e reflita a realidade organizacional.
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