Qualidade de vida no trabalho

Adesão a benefício de saúde mental: por que muitas vezes o colaborador operacional não usa e o que o RH pode fazer

Renata Tavolaro - Head de Psicologia da orienteme e autora de autoridade em psicologia

Escrito por Renata Tavolaro

Head de Psicologia da orienteme | Psicóloga CRP 06/39083
Pós Graduada em Gestão de Pessoas e Terapia online/PUC, MBA em Gestão Estratégica/FGV com mais de 30 anos no atendimento psicoterapêutico presencial e online. Atuação com terapia cognitivo comportamental e programação neurolinguística.

A adesão a benefício de saúde mental entre colaboradores operacionais é um dos maiores paradoxos da gestão de pessoas na indústria brasileira: empresas investem em plataformas, programas e atendimentos psicológicos, mas a taxa de uso por parte de operadores de fábrica, motoristas, técnicos e profissionais de logística permanece consistentemente baixa.

Não é falta de necessidade. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que os transtornos mentais e comportamentais já ocupam o terceiro lugar entre as causas de afastamento do trabalho no Brasil, com forte incidência no setor industrial. O problema, portanto, não está na oferta. A adesão ao benefício de saúde mental é baixa mesmo onde o benefício existe e está disponível.

Para o RH, isso representa um duplo desperdício: financeiro, pelo custo do benefício contratado sem retorno, e humano, pelo adoecimento silencioso de uma força de trabalho que não encontra caminho para o cuidado. Com a fiscalização da NR-1 em vigor a partir de maio de 2026, empresas que não conseguem demonstrar ações efetivas de gestão de riscos psicossociais ficam expostas a autuações e passivos trabalhistas. E a baixa adesão ao benefício é, na prática, uma evidência de que essas ações não estão funcionando.

Este artigo analisa as principais barreiras que impedem o engajamento do colaborador operacional com benefícios de saúde mental e apresenta estratégias práticas e estruturadas para o RH reverter esse cenário.

Por que a baixa adesão ao benefício de saúde mental acontece

Antes de desenhar qualquer estratégia de engajamento, é fundamental entender o que está por trás do problema. As barreiras não são aleatórias. Elas seguem padrões comportamentais, culturais e estruturais bem documentados, e cada uma delas exige uma resposta diferente do RH.

O estigma e a cultura do “não preciso de ajuda”

A principal barreira à adesão a benefício de saúde mental no ambiente operacional é o estigma. Em culturas de trabalho que valorizam resistência física, produtividade e ausência de queixas, buscar ajuda psicológica ainda é associado à fraqueza ou à incapacidade de lidar com pressão.

Esse estigma não é individual. Ele é alimentado pelo ambiente: lideranças que minimizam dificuldades emocionais, colegas que ridicularizam quem busca apoio e organizações que nunca falam abertamente sobre saúde mental criam um terreno fértil para que a adesão a benefício de saúde mental permaneça baixa, independentemente do que está disponível.

O medo de que a empresa saiba o que foi dito

Uma das razões mais frequentes apontadas por trabalhadores operacionais para não usar benefícios de saúde mental é o medo de quebra de sigilo. A pergunta que circula no chão de fábrica é direta: “Se eu falar que estou mal, vou ser demitido?”

Esse temor é especialmente intenso em empresas onde há histórico de desligamentos associados a afastamentos médicos ou onde a comunicação entre o RH e os prestadores de saúde não é transparente. A ausência de informação é tratada como evidência de risco. Se a empresa não explica como o sigilo funciona, o colaborador assume que não existe.

A fricção de acesso para quem trabalha em turno

Plataformas digitais de saúde mental foram, em sua maioria, desenhadas pensando no colaborador administrativo: alguém com acesso a smartphone, familiaridade com aplicativos, tempo e espaço privado para fazer uma sessão. O colaborador operacional frequentemente não tem nenhuma dessas condições.

Um operador de linha de produção trabalha em turnos, não pode usar o celular durante o expediente, compartilha vestiário com dezenas de colegas e muitas vezes tem dificuldade de navegar em interfaces digitais complexas. Se o acesso ao benefício exige baixar um aplicativo, cadastrar CPF, escolher um especialista e agendar uma sessão em horário comercial, o processo já perdeu esse colaborador na segunda etapa. A fricção de acesso é, por si só, uma barreira de adesão.

O desconhecimento sobre o que existe

Em levantamentos internos realizados por empresas do setor industrial, é comum descobrir que menos de 30% dos colaboradores operacionais sabem que têm acesso a algum benefício de saúde mental, mesmo quando esse benefício é comunicado no processo de onboarding e nos murais da empresa.

A razão é simples: a comunicação corporativa sobre benefícios foi projetada para quem lê e-mail, acessa o portal do colaborador e participa de reuniões de alinhamento. O trabalhador do chão de fábrica não tem esses pontos de contato. A informação chega, mas não para ele.

A sensação de que “isso não é para mim”

O engajamento em saúde mental na indústria também é prejudicado pela percepção de que psicologia é um serviço para quem tem “problemas sérios” ou para o público de escritório. O colaborador operacional, acostumado a resolver as próprias questões de forma pragmática, não se enxerga como o público-alvo de um psicólogo.

Quando a comunicação da empresa usa linguagem clínica, imagens de ambientes sofisticados e aborda temas como “autoconhecimento” e “desenvolvimento pessoal”, a distância com o trabalhador operacional aumenta. Ele simplesmente não se vê ali.

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O impacto real da baixa adesão para o negócio

A baixa adesão ao benefício de saúde mental não é apenas uma questão de engajamento. Ela tem consequências diretas e mensuráveis para os resultados da empresa.

Afastamentos evitáveis. Transtornos de ansiedade, depressão e burnout que poderiam ser tratados em estágio inicial, com acompanhamento psicológico regular, evoluem para quadros que demandam afastamento por transtorno mental no setor industrial por 30, 60 ou 120 dias. O custo médio, considerando substituição, treinamento e perda de produtividade, pode superar dezenas de milhares de reais por ocorrência.

Rotatividade elevada. Colaboradores que não se sentem cuidados têm maior propensão ao pedido de demissão. Em setores com escassez de mão de obra qualificada, como eletroeletrônico, metalúrgico e de alimentos, isso representa um custo operacional significativo.

Presenteísmo invisível. O trabalhador presente, mas produzindo pela metade. O presenteísmo causado por problemas de saúde mental costuma custar às empresas mais do que o absenteísmo, justamente porque é invisível e raramente mensurado.

Passivo regulatório crescente. Com a NR-1 em fiscalização, empresas que não demonstram ações efetivas de gestão de riscos psicossociais ficam expostas a autuações. A baixa adesão ao benefício contratado é um indicador que pode ser questionado em fiscalizações e processos trabalhistas.

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Como aumentar a adesão a benefício de saúde mental entre trabalhadores operacionais

Reverter a baixa adesão ao benefício de saúde mental entre colaboradores operacionais exige uma abordagem construída a partir das especificidades desse público. Não é uma versão simplificada do que já funciona para o público administrativo. É uma abordagem diferente.

Reformular a comunicação: linguagem, canal e contexto

O primeiro passo para aumentar a adesão a benefício de saúde mental no público operacional é abandonar a comunicação de benefícios corporativos padrão. Na prática, isso significa substituir linguagem clínica por linguagem cotidiana. Em vez de “acompanhamento psicológico para gestão de ansiedade”, use “conversa com alguém de confiança quando as coisas ficam pesadas”.

Os canais também precisam mudar. Mural físico na entrada do refeitório, conversa na passagem de turno, cartaz no vestiário e QR code impresso na ficha de ponto chegam onde o e-mail corporativo não chega. E a mensagem precisa fazer sentido no contexto real desse colaborador: pressão de metas, conflito com gestor, preocupação com dívida, dificuldade para dormir. Esses são os gatilhos reais. Comunique que o benefício existe para isso.

Treinar lideranças operacionais como pontes

O supervisor de linha é o profissional com maior contato diário com o trabalhador operacional. Na prática, ele é o RH do chão de fábrica. O problema é que a maioria dos supervisores não sabe como abordar o tema de saúde mental sem constrangimento, e quando tentam, a abordagem inadequada reforça o estigma em vez de reduzi-lo.

Treinar lideranças operacionais para fazer encaminhamentos sem pressão e comunicar o benefício de forma natural é uma das intervenções de maior impacto para aumentar a adesão. Não se trata de transformar o supervisor em terapeuta. Trata-se de habilitá-lo a dizer, com naturalidade: “Se precisar conversar com alguém, a empresa tem esse recurso e é confidencial.”

Eliminar a fricção de acesso

Se o acesso ao benefício exige mais de dois passos, o colaborador operacional provavelmente vai desistir. O RH precisa simplificar ao máximo o caminho entre a percepção da necessidade e o primeiro atendimento. Isso inclui oferecer um número de telefone ou WhatsApp de acesso direto, sem cadastro prévio; disponibilizar horários de atendimento fora do expediente ou em intervalos de turno; e garantir que o colaborador possa fazer a primeira sessão sem precisar sair da empresa, quando possível.

Demonstrar o sigilo de forma explícita e repetida

Não basta ter sigilo. É preciso comunicar o sigilo de forma clara, frequente e com exemplos concretos. Uma única menção no onboarding não resolve. O trabalhador precisa ouvir, de fontes em que confia, que a empresa não tem acesso ao conteúdo das sessões.

Depoimentos anônimos de colaboradores que usaram o benefício, comunicados assinados pela liderança reafirmando a confidencialidade e a presença de profissionais de saúde independentes do RH que explicam o funcionamento em reuniões de turno são recursos eficazes para construir essa confiança ao longo do tempo.

Monitorar adesão como indicador de gestão

A adesão a benefício de saúde mental precisa ser monitorada como qualquer outro indicador de gestão de pessoas. O RH deve acompanhar a taxa de utilização do benefício por área, turno e função; as razões de não uso, identificadas via pesquisa de clima ou entrevistas de permanência; e a correlação entre taxa de adesão e indicadores de absenteísmo, rotatividade e afastamentos por transtornos mentais.

Sem dados, a estratégia de engajamento fica no campo da intuição. Com dados, é possível identificar onde a barreira é mais intensa e onde as intervenções estão funcionando.

Como a orienteme apoia o engajamento do colaborador operacional

A orienteme é uma plataforma B2B de saúde e bem-estar corporativo que integra psicologia, nutrição e orientação física em uma única solução. Para empresas industriais, a plataforma vai além de disponibilizar atendimentos: ela trabalha ativamente com o RH para aumentar a adesão a benefícios de saúde mental entre os públicos com maior resistência, incluindo o colaborador operacional.

Entre os recursos que fazem diferença prática nesse contexto:

Ações presenciais no ambiente de trabalho. Rodas de conversa, palestras e abordagens no chão de fábrica, adaptadas à linguagem e à rotina do trabalhador operacional. Esses momentos presenciais são os de maior impacto para quebrar o estigma inicial e gerar as primeiras adesões.

Comunicação personalizada por perfil de colaborador. A orienteme desenvolve materiais adaptados ao público operacional, com linguagem acessível e canais físicos, pensados para quem trabalha em turno e não usa e-mail corporativo.

Atendimento 24 horas. O colaborador de turno noturno tem acesso ao suporte emocional no mesmo horário em que precisa, sem depender do expediente comercial.

Portal corporativo com dados anonimizados. O RH acompanha em tempo real a taxa de adesão a benefício de saúde mental por área, os temas mais acessados e os indicadores de saúde da população, sem nenhum acesso ao conteúdo individual das sessões. Isso permite ajustes estratégicos contínuos e a construção de relatórios que sustentam o investimento junto à diretoria.

Concierge de saúde. Um profissional dedicado que orienta o colaborador no uso da plataforma, reduzindo a fricção de acesso para trabalhadores com menor familiaridade digital.

Em uma operação industrial com mais de 50 mil colaboradores, a orienteme registrou redução de 25% nos níveis de ansiedade e 23% nos níveis de estresse em três meses, com mais de 170 ações de engajamento. Para o setor industrial, esses números representam menos afastamentos, menor sinistralidade e uma equipe com mais capacidade de sustentar a produtividade ao longo dos turnos.

FAQ

Por que o colaborador operacional não usa o benefício de saúde mental?

As principais razões são o estigma associado ao tema, o medo de quebra de sigilo, a fricção no acesso digital, o desconhecimento sobre o que está disponível e a percepção de que o serviço não foi feito para ele. Cada uma dessas barreiras exige uma resposta específica do RH, e abordá-las como um conjunto é o que diferencia uma estratégia de engajamento efetiva de uma comunicação pontual.

Como o RH pode medir a adesão ao benefício de saúde mental?

Monitorar a adesão a benefício de saúde mental exige segmentar a taxa de utilização por área, turno e função. Cruzar esse dado com indicadores de absenteísmo, rotatividade e afastamentos por transtornos mentais permite identificar onde a baixa adesão está concentrada e qual é o impacto financeiro real para a empresa.

A empresa é obrigada a oferecer benefícios de saúde mental?

A NR-1 atualizada, em fiscalização desde maio de 2026, exige que as empresas mapeiem e gerenciem riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Garantir condições para que os colaboradores possam cuidar da saúde mental faz parte dessa obrigação. Empresas com baixa adesão a benefício de saúde mental e sem ações estruturadas de engajamento estão expostas a autuações e passivos trabalhistas.

O que é estigma em saúde mental no trabalho e como reduzi-lo?

É o conjunto de preconceitos e julgamentos negativos associados a quem busca apoio psicológico, especialmente em culturas de trabalho que valorizam resistência e produtividade acima do bem-estar. Para reduzi-lo, é preciso atuar em três frentes: comunicação aberta e frequente sobre o tema, treinamento de lideranças para abordagens acolhedoras e criação de experiências positivas de uso do benefício que possam ser compartilhadas entre os pares.

Como a orienteme apoia empresas industriais na adesão a benefício de saúde mental?

A orienteme combina atendimento individual de psicologia, nutrição e orientação física com ações presenciais de engajamento, comunicação adaptada ao público operacional e portal corporativo com dados anonimizados por área e turno. O time especializado em engajamento da plataforma trabalha junto ao RH para aumentar a adesão a benefício de saúde mental nos públicos com maior resistência, com foco em resultados mensuráveis.

Acompanhe a orienteme no LinkedIn para acessar conteúdos sobre engajamento em saúde mental na indústria, gestão de riscos psicossociais e estratégias de RH para o colaborador operacional.

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