Qualidade de vida no trabalho

Riscos psicossociais no trabalho: como identificar, classificar e gerenciar

Renata Tavolaro - Head de Psicologia da orienteme e autora de autoridade em psicologia

Escrito por Renata Tavolaro

Head de Psicologia da orienteme | Psicóloga CRP 06/39083
Pós Graduada em Gestão de Pessoas e Terapia online/PUC, MBA em Gestão Estratégica/FGV com mais de 30 anos no atendimento psicoterapêutico presencial e online. Atuação com terapia cognitivo comportamental e programação neurolinguística.

Os riscos psicossociais no trabalho passaram a ocupar um lugar central na gestão de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) e na agenda estratégica de RH. Mais do que um tema de bem-estar, eles representam hoje um fator de risco organizacional, com impactos diretos sobre afastamentos, produtividade, clima, passivos trabalhistas e conformidade com a NR1.

Diferentemente de abordagens mais introdutórias sobre saúde mental, este conteúdo tem um foco técnico e estruturante, voltado a profissionais de RH, SSA, HSE e gestão que precisam compreender como os riscos psicossociais se integram ao sistema de gestão de riscos ocupacionais.

O que caracteriza os riscos psicossociais no trabalho

Os riscos psicossociais no trabalho são definidos como fatores relacionados à organização do trabalho, às relações interpessoais, aos processos de gestão e às condições psicossociais que podem causar danos à saúde mental, emocional e social dos trabalhadores.

Eles emergem da interação entre:

  • Exigências do trabalho (carga, ritmo, metas, pressão)
  • Grau de autonomia e controle sobre as atividades
  • Qualidade da liderança e das relações de trabalho
  • Clareza de papéis, comunicação e reconhecimento
  • Estabilidade, previsibilidade e segurança no vínculo laboral

Do ponto de vista técnico, esses riscos não são subjetivos ou individuais: são condições estruturais do ambiente de trabalho, passíveis de identificação, avaliação e gerenciamento.

riscos psicossociais no trabalho

Classificação dos riscos ocupacionais e a inclusão dos riscos psicossociais

Tradicionalmente, a gestão de SST no Brasil sempre se concentrou em riscos:

riscos psicossociais no trabalho

Riscos físicos

Cor: Verde
O que são:
Fatores ambientais que atuam diretamente sobre o corpo do trabalhador por meio de energia física.

Exemplos:
Ruído excessivo, vibração, calor ou frio intensos, radiações ionizantes e não ionizantes, pressão anormal e umidade.

Riscos químicos

Cor: Vermelho
O que são:
Substâncias químicas que podem penetrar no organismo por inalação, contato com a pele ou ingestão.

Exemplos:
Poeiras, fumos, névoas, gases, vapores e produtos químicos em geral.

Riscos biológicos

Cor: Marrom
O que são:
Agentes biológicos capazes de causar infecções, alergias ou intoxicações.

Exemplos:
Bactérias, fungos, vírus, parasitas e protozoários.

Riscos ergonômicos

Cor: Amarelo
O que são:
Fatores relacionados à organização do trabalho e às exigências físicas ou cognitivas das atividades.

Exemplos:
Esforço físico excessivo, posturas inadequadas, levantamento de peso, repetitividade, monotonia e jornadas prolongadas.

Riscos mecânicos ou de acidentes

Cor: Azul
O que são:
Condições que aumentam a probabilidade de acidentes e lesões físicas imediatas.

Exemplos:
Quedas, cortes, choques, esmagamentos, atropelamentos e riscos relacionados ao uso de máquinas e equipamentos.

Com a evolução do entendimento sobre saúde do trabalhador, os riscos psicossociais passaram a ser reconhecidos como uma categoria complementar e indispensável, pois atuam como fatores desencadeadores ou agravantes de adoecimentos físicos e mentais.

Principais fatores de riscos psicossociais no trabalho

Do ponto de vista técnico, os riscos podem ser agrupados em grandes blocos de fatores, conforme referenciais da OIT e da OMS:

riscos psicossociais no trabalho

Esses fatores não atuam isoladamente. Em geral, se combinam e se reforçam, elevando o nível de risco do ambiente.

Saúde mental e indicadores organizacionais

A exposição contínua a riscos psicossociais está associada a uma série de impactos mensuráveis para a organização, como:

Aumento de afastamentos por transtornos mentais (CID F): exposição prolongada a riscos psicossociais eleva casos de adoecimento mental e licenças médicas recorrentes.

Crescimento do absenteísmo e do presenteísmo: colaboradores adoecidos faltam mais ou permanecem no trabalho com desempenho reduzido.

Elevação do turnover voluntário: ambientes psicossocialmente inseguros aumentam pedidos de desligamento e perda de talentos.

Queda de engajamento e desempenho: fatores psicossociais negativos afetam motivação, foco e produtividade das equipes.

Aumento de conflitos e incidentes de trabalho: tensão emocional e sobrecarga favorecem erros, conflitos interpessoais e acidentes.

Por isso, a gestão de riscos não deve ser tratada como ação pontual ou reativa, mas como parte de um sistema de prevenção contínua, integrado aos indicadores de RH e SST.

A relação entre riscos psicossociais e a NR1

A NR1 estabelece a obrigatoriedade de identificação, avaliação e controle de todos os riscos ocupacionais relevantes, incluindo aqueles que afetam a saúde mental dos trabalhadores.

Na prática, isso significa que os riscos psicossociais:

  • Devem ser considerados no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)
  • Precisam ser documentados e monitorados
  • Exigem definição de medidas preventivas e corretivas
  • Demandam capacitação e envolvimento das lideranças

Mesmo que a norma não detalhe metodologias específicas, ela reforça a responsabilidade da empresa em adotar abordagens técnicas e consistentes para esse tipo de risco.

O papel estratégico do RH e do SSA na gestão dos riscos psicossociais

A gestão no trabalho é, por natureza, interdisciplinar. No entanto, o RH e as áreas de SSA, HSE e SST ocupam um papel central nesse processo.

Entre suas responsabilidades estão:

  • Articular saúde mental, gestão de pessoas e compliance
  • Apoiar lideranças na identificação precoce de riscos
  • Promover ambientes psicologicamente seguros
  • Integrar dados de clima, saúde e desempenho
  • Sustentar decisões com base em indicadores e evidências

Sem essa atuação estruturada, os riscos tendem a permanecer invisíveis até se manifestarem em crises, afastamentos ou passivos legais.

Gestão de riscos psicossociais exige abordagem sistêmica

Um ponto crítico é compreender que riscos psicossociais não são responsabilidade individual do colaborador. Eles refletem decisões organizacionais sobre processos, metas, cultura e liderança.

Portanto, sua gestão exige:

  • Diagnósticos estruturados
  • Monitoramento contínuo
  • Ações preventivas integradas
  • Envolvimento da alta liderança

Essa abordagem fortalece não apenas a conformidade legal, mas a sustentabilidade da organização como um todo.

FAQ – Dúvidas técnicas sobre riscos psicossociais no trabalho

Riscos psicossociais podem ser auditados?

Sim. Eles podem e devem ser avaliados dentro dos processos de auditoria de SST, PGR e compliance trabalhista.

Apenas ambientes administrativos têm riscos psicossociais?

Não. Ambientes operacionais, industriais e logísticos também apresentam riscos psicossociais relevantes, ainda que com fatores distintos.

Gestão de riscos psicossociais substitui ações de saúde mental?

Não. Ela complementa e estrutura essas ações dentro de um modelo preventivo e organizacional.

Entenda como empresas podem estruturar a gestão de riscos psicossociais de forma integrada à NR1 e à saúde corporativa.

Como a orienteme apoia as empresas

A orienteme atua como parceira estratégica das empresas na gestão de riscos, apoiando a identificação, análise e acompanhamento desses riscos dentro do PGR e da estratégia de saúde corporativa.

A partir de dados consolidados, visão populacional e ações orientadas à prevenção, a plataforma contribui para a redução de afastamentos, melhoria do clima organizacional e fortalecimento da conformidade com a NR1.

Acompanhe a orienteme no LinkedIn e fique por dentro de conteúdos sobre saúde corporativa, NR1 e gestão estratégica de pessoas.

riscos psicossociais no trabalho

E-BOOK GRATUITO

e-Book Segurança Psicológica: o guia completo para criar equipes inovadoras​