Os riscos psicossociais no trabalho passaram a ocupar um lugar central na gestão de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) e na agenda estratégica de RH. Mais do que um tema de bem-estar, eles representam hoje um fator de risco organizacional, com impactos diretos sobre afastamentos, produtividade, clima, passivos trabalhistas e conformidade com a NR1.
Diferentemente de abordagens mais introdutórias sobre saúde mental, este conteúdo tem um foco técnico e estruturante, voltado a profissionais de RH, SSA, HSE e gestão que precisam compreender como os riscos psicossociais se integram ao sistema de gestão de riscos ocupacionais.
O que caracteriza os riscos psicossociais no trabalho
Os riscos psicossociais no trabalho são definidos como fatores relacionados à organização do trabalho, às relações interpessoais, aos processos de gestão e às condições psicossociais que podem causar danos à saúde mental, emocional e social dos trabalhadores.
Eles emergem da interação entre:
- Exigências do trabalho (carga, ritmo, metas, pressão)
- Grau de autonomia e controle sobre as atividades
- Qualidade da liderança e das relações de trabalho
- Clareza de papéis, comunicação e reconhecimento
- Estabilidade, previsibilidade e segurança no vínculo laboral
Do ponto de vista técnico, esses riscos não são subjetivos ou individuais: são condições estruturais do ambiente de trabalho, passíveis de identificação, avaliação e gerenciamento.

Classificação dos riscos ocupacionais e a inclusão dos riscos psicossociais
Tradicionalmente, a gestão de SST no Brasil sempre se concentrou em riscos:
Riscos físicos
Cor: Verde
O que são:
Fatores ambientais que atuam diretamente sobre o corpo do trabalhador por meio de energia física.
Exemplos:
Ruído excessivo, vibração, calor ou frio intensos, radiações ionizantes e não ionizantes, pressão anormal e umidade.
Riscos químicos
Cor: Vermelho
O que são:
Substâncias químicas que podem penetrar no organismo por inalação, contato com a pele ou ingestão.
Exemplos:
Poeiras, fumos, névoas, gases, vapores e produtos químicos em geral.
Riscos biológicos
Cor: Marrom
O que são:
Agentes biológicos capazes de causar infecções, alergias ou intoxicações.
Exemplos:
Bactérias, fungos, vírus, parasitas e protozoários.
Riscos ergonômicos
Cor: Amarelo
O que são:
Fatores relacionados à organização do trabalho e às exigências físicas ou cognitivas das atividades.
Exemplos:
Esforço físico excessivo, posturas inadequadas, levantamento de peso, repetitividade, monotonia e jornadas prolongadas.
Riscos mecânicos ou de acidentes
Cor: Azul
O que são:
Condições que aumentam a probabilidade de acidentes e lesões físicas imediatas.
Exemplos:
Quedas, cortes, choques, esmagamentos, atropelamentos e riscos relacionados ao uso de máquinas e equipamentos.
Com a evolução do entendimento sobre saúde do trabalhador, os riscos psicossociais passaram a ser reconhecidos como uma categoria complementar e indispensável, pois atuam como fatores desencadeadores ou agravantes de adoecimentos físicos e mentais.
Principais fatores de riscos psicossociais no trabalho
Do ponto de vista técnico, os riscos podem ser agrupados em grandes blocos de fatores, conforme referenciais da OIT e da OMS:
Esses fatores não atuam isoladamente. Em geral, se combinam e se reforçam, elevando o nível de risco do ambiente.
Saúde mental e indicadores organizacionais
A exposição contínua a riscos psicossociais está associada a uma série de impactos mensuráveis para a organização, como:
Aumento de afastamentos por transtornos mentais (CID F): exposição prolongada a riscos psicossociais eleva casos de adoecimento mental e licenças médicas recorrentes.
Crescimento do absenteísmo e do presenteísmo: colaboradores adoecidos faltam mais ou permanecem no trabalho com desempenho reduzido.
Elevação do turnover voluntário: ambientes psicossocialmente inseguros aumentam pedidos de desligamento e perda de talentos.
Queda de engajamento e desempenho: fatores psicossociais negativos afetam motivação, foco e produtividade das equipes.
Aumento de conflitos e incidentes de trabalho: tensão emocional e sobrecarga favorecem erros, conflitos interpessoais e acidentes.
Por isso, a gestão de riscos não deve ser tratada como ação pontual ou reativa, mas como parte de um sistema de prevenção contínua, integrado aos indicadores de RH e SST.
A relação entre riscos psicossociais e a NR1
A NR1 estabelece a obrigatoriedade de identificação, avaliação e controle de todos os riscos ocupacionais relevantes, incluindo aqueles que afetam a saúde mental dos trabalhadores.
Na prática, isso significa que os riscos psicossociais:
- Devem ser considerados no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)
- Precisam ser documentados e monitorados
- Exigem definição de medidas preventivas e corretivas
- Demandam capacitação e envolvimento das lideranças
Mesmo que a norma não detalhe metodologias específicas, ela reforça a responsabilidade da empresa em adotar abordagens técnicas e consistentes para esse tipo de risco.
O papel estratégico do RH e do SSA na gestão dos riscos psicossociais
A gestão no trabalho é, por natureza, interdisciplinar. No entanto, o RH e as áreas de SSA, HSE e SST ocupam um papel central nesse processo.
Entre suas responsabilidades estão:
- Articular saúde mental, gestão de pessoas e compliance
- Apoiar lideranças na identificação precoce de riscos
- Promover ambientes psicologicamente seguros
- Integrar dados de clima, saúde e desempenho
- Sustentar decisões com base em indicadores e evidências
Sem essa atuação estruturada, os riscos tendem a permanecer invisíveis até se manifestarem em crises, afastamentos ou passivos legais.
Gestão de riscos psicossociais exige abordagem sistêmica
Um ponto crítico é compreender que riscos psicossociais não são responsabilidade individual do colaborador. Eles refletem decisões organizacionais sobre processos, metas, cultura e liderança.
Portanto, sua gestão exige:
- Diagnósticos estruturados
- Monitoramento contínuo
- Ações preventivas integradas
- Envolvimento da alta liderança
Essa abordagem fortalece não apenas a conformidade legal, mas a sustentabilidade da organização como um todo.
FAQ – Dúvidas técnicas sobre riscos psicossociais no trabalho
Riscos psicossociais podem ser auditados?
Sim. Eles podem e devem ser avaliados dentro dos processos de auditoria de SST, PGR e compliance trabalhista.
Apenas ambientes administrativos têm riscos psicossociais?
Não. Ambientes operacionais, industriais e logísticos também apresentam riscos psicossociais relevantes, ainda que com fatores distintos.
Gestão de riscos psicossociais substitui ações de saúde mental?
Não. Ela complementa e estrutura essas ações dentro de um modelo preventivo e organizacional.
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A orienteme atua como parceira estratégica das empresas na gestão de riscos, apoiando a identificação, análise e acompanhamento desses riscos dentro do PGR e da estratégia de saúde corporativa.
A partir de dados consolidados, visão populacional e ações orientadas à prevenção, a plataforma contribui para a redução de afastamentos, melhoria do clima organizacional e fortalecimento da conformidade com a NR1.
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