Qualidade de vida no trabalho

4 principais causas de afastamento do trabalho e como evitar

Daniela Haidar Chohfi -

As principais causas do afastamento do trabalho são uma realidade que muitos profissionais enfrentam ao longo de suas carreiras e, por isso, o departamento de gestão de pessoas deve estar mais do que preparado para lidar com as situações que possam vir a acontecer. 

Quando surgem problemas de saúde ou outras situações adversas, muitas vezes é necessário se ausentar temporariamente do ambiente de trabalho para recuperar a saúde ou lidar com esses desafios e, infelizmente, cada vez mais funcionários têm passado por cenários assim.

Para se ter uma ideia, de acordo com dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em 2022, 209.124 mil pessoas foram afastadas do trabalho por transtornos mentais. Nesse quadro, se destacam depressão, distúrbios emocionais e Alzheimer, enquanto em 2021 foram registrados 200.244 afastamentos.

Esses afastamentos podem ter um impacto significativo tanto para os colaboradores quanto para as empresas, afetando a produtividade, o clima organizacional e até mesmo a rentabilidade

Neste post, explicaremos as principais causas de afastamento do trabalho e como elas podem ser gerenciadas de forma eficaz. Boa leitura!

O que é considerado afastamento do trabalho e como funciona?

O afastamento do trabalho é uma situação que ocorre quando um funcionário precisa se ausentar das suas atividades profissionais por um determinado período de tempo. Existem diferentes motivos que podem levar a esse afastamento, como: 

  • Doenças fisiológicas ou psicológicas;
  • Acidentes de trabalho;
  • Licenças maternidade ou paternidade;
  • Entre outros.

A CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), no Art. 473, justifica e garante o direito ao afastamento do trabalho, assegurando que não haja prejuízo em relação ao pagamento desde que o funcionário comprove o motivo da ausência.

4 principais causas de afastamento do trabalho

O afastamento do trabalho é uma situação que pode ocorrer por diversos motivos, impactando tanto a vida profissional quanto pessoal dos indivíduos. 

Confira as 4 principais causas de afastamento do trabalho. 

1 – Doença ou acidente físico

Trata-se de uma situação em que o funcionário fica temporariamente incapaz de realizar suas atividades profissionais devido a uma condição médica ou lesão física

Nesses casos, é comum que o colaborador precise se afastar do trabalho para receber tratamento médico, repouso e recuperação, a fim de retornar em condições plenas de saúde e aptidão para suas funções.

De acordo com dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (SmartLab), em 2020, foram 446.881 acidentes de trabalho notificados. Em 2021, o número subiu 37%, alcançando 612.920 notificações.

Existem várias razões pelas quais o afastamento por doença ou acidente físico pode ocorrer, como:

Doenças agudas

Infecções, como gripes e resfriados, gastroenterites, infecções respiratórias, entre outras, podem resultar em um afastamento temporário para evitar a disseminação da doença para outros colegas de trabalho.

Doenças crônicas

Algumas condições de saúde crônicas, como diabetes, doenças autoimunes ou cardiovasculares, costumam exigir tratamento contínuo e acompanhamento médico regular. Isso pode levar a ausências esporádicas para controle da condição e recuperação de sintomas.

Lesões por acidentes de trabalho

Acidentes no local de trabalho, como quedas, choques ou lesões causadas por objetos, podem levar a lesões físicas que exigem afastamento para tratamento e recuperação.

Lesões por esforços repetitivos

Atividades laborais que envolvem movimentos repetitivos podem levar ao desenvolvimento de lesões por esforço repetitivo (LER). Alguns exemplos são tendinites ou bursites, resultando em afastamento para descanso e reabilitação.

Acidentes fora do trabalho

Lesões decorrentes de acidentes fora do ambiente de trabalho, como acidentes de trânsito ou lesões durante atividades de lazer, também podem levar ao afastamento para recuperação.

2 – Doença ou transtorno mental

O afastamento do trabalho em caso de doença ou transtorno mental é um tema importante que envolve a saúde mental dos colaboradores. 

Dados da Central Única dos Trabalhadores (CUT) identificaram que de 2015 para 2020 os casos de afastamento por transtornos mentais foram de 170.830 para 289.677. Ou seja: houve um aumento de mais de 50% em 5 anos.

Confira alguns casos de transtornos psicológicos que também configuram as principais causas de afastamento do trabalho:

Estresse

O estresse no ambiente de trabalho infelizmente pode ser mais recorrente do que o ideal.

Ele costuma ser causado por razões como carga excessiva de trabalho, prazos apertados, pressão por resultados, falta de suporte e reconhecimento, conflitos interpessoais, falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional, entre outros fatores.

Níveis elevados podem tornar a condição crônica e afetar negativamente a saúde física e mental dos colaboradores, causando sintomas como ansiedade, fadiga, irritabilidade, problemas de sono, dores de cabeça, distúrbios gastrointestinais e até mesmo distúrbios mentais, como a Síndrome de Burnout.

Portanto, se necessário, o colaborador pode obter um laudo médico recomendando um período de afastamento para ajudar a combater o estresse causado.

Para compreender mais sobre o assunto, assista ao Ted Talk “O custo do estresse no trabalho — e como reduzi-lo”, de Rob Cooke:

Ansiedade

Um desdobramento do estresse no trabalho é a ansiedade, que pode gerar sintomas como preocupações excessivas, nervosismo, irritabilidade, tensão muscular, dificuldade para relaxar e problemas de sono, entre outros.

Em casos mais graves, o transtorno de ansiedade pode impactar a capacidade do funcionário de realizar suas tarefas no trabalho e manter o desempenho adequado

Sendo assim, a pessoa pode precisar se afastar temporariamente do trabalho com laudo médico para receber tratamento, apoio e cuidados adequados.

Síndrome de Burnout

A Síndrome de Burnout é um distúrbio psicológico causado pelo estresse crônico e contínuo no ambiente de trabalho, caracterizado por exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal no trabalho.

Quando um funcionário apresenta sinais e sintomas de Burnout, é fundamental que a empresa e a equipe de Recursos Humanos estejam atentas para oferecer apoio. Com laudo médico, o funcionário tem direito a no mínimo 15 dias de afastamento do trabalho.

Para obter a licença pelo INSS, é necessário passar por uma perícia médica, com acompanhamento, para verificar o impacto do ambiente de trabalho na pessoa e averiguar se a condição foi ocasionada pela atuação na empresa.

Depressão

A depressão é uma doença psiquiátrica que pode afetar profundamente o humor, o comportamento e a capacidade funcional de uma pessoa. 

O afastamento do trabalho em caso de depressão geralmente é indicado quando a condição afeta a capacidade do colaborador de desempenhar suas funções de forma adequada e segura. 

Para atestar a condição, são empregados relatórios médicos e históricos, avaliando a incapacidade do indivíduo de continuar exercendo suas funções, com período de afastamento orientado pelo médico.

3 – Licença-maternidade

A licença-maternidade é um direito assegurado às mulheres trabalhadoras, com o objetivo de proteger a saúde da mãe e garantir o bem-estar do bebê após o nascimento. 

Esse tipo de afastamento do trabalho é concedido a mulheres grávidas ou que acabaram de dar à luz e visa permitir que elas tenham tempo para se recuperar do parto, se adaptar à nova rotina com o bebê e estabelecer uma relação afetiva nos primeiros meses de vida da criança.

Por lei, o afastamento do trabalho é permitido por 120 dias, podendo ser prorrogado por até 180 dias em certos casos, sem que ocorra qualquer prejuízo ao seu emprego ou salário, para mulheres e mães que: 

  • Possuam carteira assinada;
  • Sejam empregadas domésticas;
  • Estejam desempregadas ou sejam autônomas contribuintes do INSS;
  • Sejam trabalhadoras rurais.

Durante o período de licença-maternidade, o INSS realiza os pagamentos. Porém, para profissionais com carteira assinada sob o regime de CLT, a empresa efetua os pagamentos e depois solicita o reembolso ao INSS.

4 – Invalidez (ou incapacidade permanente)

Um outro motivo que configura as principais causas de afastamento do trabalho são em caso de lesão ou desenvolvimento de uma condição médica que deixa op profissional permanentemente incapaz de realizar suas atividades profissionais de forma adequada e segura. 

Essa situação pode ser resultado de acidentes graves, doenças crônicas, lesões traumáticas ou condições de saúde incapacitantes.

Nesse caso, é reconhecida a invalidez do profissional, e ele não poderá retornar às suas funções de trabalho. Seu contrato será suspenso, e o INSS será responsável pelo pagamento do seu salário.

Saúde mental x afastamentos do trabalho

A saúde mental é um tema cada vez mais discutido e valorizado nas empresas, pois está diretamente relacionada ao bem-estar e desempenho dos colaboradores

A pressão do ambiente de trabalho, a sobrecarga de tarefas e a falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional podem levar a problemas como estresse, ansiedade e depressão, que muitas vezes resultam nas principais causas de afastamento do trabalho, como vimos acima. 

Essas pausas forçadas podem ter um impacto significativo tanto para os funcionários quanto para as organizações. 

Para os trabalhadores, o afastamento pode proporcionar tempo para se recuperarem e cuidarem da sua saúde mental. No entanto, muitos enfrentam dificuldades ao retornar ao trabalho, como o medo de serem julgados ou estigmatizados. 

Já para as empresas, os afastamentos representam perdas financeiras e de produtividade

Por isso, é fundamental que as organizações invistam em programas de suporte e prevenção da saúde mental, promovendo um ambiente de trabalho saudável e acolhedor para seus colaboradores.

5 ações para o RH ajudar a reduzir o número de afastamentos do trabalho

Os profissionais de psicologia organizacional desempenham um papel fundamental na redução do número de afastamentos do trabalho, garantindo que os colaboradores estejam saudáveis e motivados. 

Existem diversas ações que podem ser adotadas para alcançar esse objetivo, confira: 

Programas de saúde e bem-estar

Desenvolva e implemente programas de qualidade de vida no trabalho que promovam um estilo de vida saudável entre os colaboradores. 

Isso pode incluir incentivos para atividades físicas, campanhas de conscientização sobre saúde, palestras e workshops sobre hábitos saudáveis e acesso a serviços de assistência médica e aconselhamento.

Prevenção de acidentes e ergonomia

Investigue os acidentes de trabalho ocorridos e utilize os insights para implementar medidas preventivas. Certifique-se, ainda, de que o ambiente de trabalho seja seguro e siga as melhores práticas ergonômicas para reduzir o risco de lesões por esforço repetitivo e acidentes no local de trabalho.

Políticas de saúde mental

Implemente políticas e programas que promovam a saúde mental no ambiente de trabalho. Isso inclui o incentivo à comunicação aberta sobre questões de saúde mental. Outra ideia é a oferta de treinamentos sobre gerenciamento de estresse e a disponibilização de recursos de suporte psicológico para os colaboradores.

Gestão do absenteísmo

Faça uma gestão eficiente do absenteísmo, monitorando os padrões de faltas e identificando tendências. Com o uso de dados e análises, o RH pode identificar as principais causas de afastamento do trabalho. E assim, tomar medidas preventivas para reduzir o número de afastamentos.

Retorno gradual e programas de readaptação

Desenvolva programas de retorno gradual para funcionários que estiveram afastados por doença ou lesão. 

Isso pode incluir um período de transição com carga horária reduzida ou tarefas adaptadas, ajudando-os a se reintegrarem ao ambiente de trabalho de forma mais suave e segura.

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