Qualidade de vida no trabalho

Estresse no trabalho: o que as empresas podem fazer para evitar?

Daniela Haidar Chohfi -

Com cargas horárias excessivas, acúmulo de funções, conflitos no trabalho e outros problemas, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de países com maior casos de estresse de trabalho, de acordo com a Isma (International Stress Management Association).

Assim, se você está aqui, deve saber que essa é uma grande preocupação principalmente para quem atua com psicologia organizacional, já que altos níveis de estresse são as principais portas de entrada para diversas doenças ocupacionais, como a Síndrome de Burnout.

Então, como reconhecer um problema tão normalizado pelas organizações? Há como prevenir? Existe tratamento?

Esses são alguns dos assuntos que iremos explicar neste artigo. Você também saberá:

  • Quais os sintomas do estresse no trabalho;
  • Quais as causas e como identificar essa condição;
  • Quais as consequências do estresse no trabalho;
  • Como evitar esse problema na empresa;
  • Se existe tratamento.

Boa leitura!

Quais os sintomas do estresse no trabalho?

Sinais de estresse no trabalho

O estresse pode ser classificado como uma resposta do organismo a determinada situação considerada “ameaçadora”. Isso porque, para estar preparado para o que está por vir, o corpo ativa a produção de diversos hormônios, como a adrenalina. 

Eles são responsáveis por deixar o indivíduo em “estado de alerta” e mais tenso. Porém, no caso do estresse no trabalho, que também pode ser chamado de estresse ocupacional, o profissional acaba tendo essa reação a circunstâncias muito frequentes no dia a dia

Com o tempo, o corpo e a mente vão entrando em esgotamento.

Por isso, a curto e longo prazo, a pessoa estressada pode apresentar alguns sintomas físicos e psicológicos, como:

  • Dores musculares;
  • Cansaço extremo;
  • Quedas na imunidade e na disposição;
  • Irritabilidade;
  • Ansiedade;
  • Angústia;
  • Alterações gastrointestinais;
  • Dificuldade em manter a concentração;
  • Alterações no sono e no apetite;
  • Pouca flexibilidade cognitiva (dificuldade em encontrar soluções);
  • E mais.

Esses são apenas alguns dos sintomas que podem indicar um alto nível de estresse. Além disso, é importante destacar que esses pontos também podem estar associados a outros transtornos emocionais que têm origem no estresse, como a Síndrome de Burnout.

Ainda, outras doenças relacionadas ao bem-estar físico podem surgir de casos de estresse elevado, comprometendo a saúde do colaborador de mais uma maneira. Por isso, a prevenção e o cuidado com o ambiente de trabalho são essenciais.

Quais as causas do estresse no trabalho?

Como é de se imaginar, o estresse no trabalho costuma estar diretamente relacionado ao ambiente profissional e às tarefas realizadas pelos profissionais. 

Apesar de algumas ocupações estarem mais sujeitas a esse problema, como aquelas da área da saúde, os principais motivadores de estresse ainda são as organizações e suas práticas.

Isso porque, como já abordamos, o estresse não é algo súbito, mas uma combinação de fatores ruins que acabam se manifestando em sintomas físicos e psicológicos. Muitas vezes, inclusive, ele pode acabar acontecendo porque o colaborador sente que deve acompanhar um certo “ritmo” imposto a ele.

Para entender melhor as responsabilidades da empresa nesse cenário, separamos alguns fatores que podem causar estresse no trabalho:

  • Falta de segurança psicológica;
  • Sobrecarga de trabalho;
  • Lideranças tóxicas.
  • Cobranças excessivas;
  • Baixa valorização;
  • Ambiente de trabalho tóxico.

Falta de segurança psicológica

A segurança psicológica é um conceito que engloba a liberdade que os colaboradores têm para inovar, errar, colaborar e desafiar dentro de uma organização. 

Portanto, quando o ambiente não é psicologicamente seguro, ele cria equipes tensas e “engessadas”, que tendem a competir de forma nada saudável entre si, em vez de colaborar. Nesses locais, é comum os colaboradores sofrerem com estresse no trabalho, o que aumenta a chance de acidentes.

Sobrecarga de trabalho

É verdade que o estresse está bastante ligado ao esgotamento. Por isso, não é difícil de imaginar como uma lista interminável de tarefas contribui para os casos de estresse no trabalho, certo? 

Assim, o acúmulo de atividades é um dos principais pontos que podem afetar a saúde mental dos trabalhadores. Ainda, um colaborador que acumula tarefas pode, até mesmo, realizar mais de uma função, o que é muito prejudicial tanto para o indivíduo quanto para a empresa em termos de legislação.

Lideranças tóxicas

É verdade que maus líderes podem destruir bons profissionais, e isso se manifesta em mais de uma forma, incluindo com o estresse no trabalho. Como o líder é o principal ponto de ligação entre o colaborador e a empresa, sua conduta é de extrema importância para a saúde mental do funcionário no dia a dia.

Além de causar estresse, afeta outros indicadores de RH. Inclusive, uma pesquisa do PageGroup aponta que 8 a cada 10 profissionais pedem demissão por conta do líder.

Cobranças excessivas

É comum que o estresse seja maior em ambientes de alta exigência. Assim, esse tipo de local geralmente apresenta uma cultura de cobranças excessivas, que são prejudiciais e assim, associadas ao surgimento do estresse no trabalho.

Baixa valorização

A baixa valorização pode ter várias interfaces no dia a dia. Pode ser traduzida através de salários baixos, falta de benefícios e até mesmo pouco reconhecimento.

Assim, além de representar um risco para o engajamento, esse ponto também prejudica a autoestima no trabalho. Esses efeitos podem ser sentidos por  meio de um alto número de rotatividade (turnover) e outros problemas na empresa.

Ambiente de trabalho tóxico

O ambiente de trabalho, em sua totalidade, tem uma grande influência na saúde mental do colaborador.

Isso porque, sem o bem-estar no centro do dia a dia, como falamos, dificilmente o colaborador conseguirá dar o seu melhor nas ações diárias. Isso pode ser prejudicial se a empresa normalizar comportamentos como:

Quais podem ser as consequências do estresse no trabalho?

Apesar de ser algo normalizado por muitas organizações, altos níveis de estresse no trabalho podem, sim, representar sérios riscos à saúde da equipe. 

Dessa forma, a empresa também pode sofrer diversos prejuízos, desde processos trabalhistas, queda nos indicadores de RH e, até mesmo, a perda da equipe, o principal ativo de uma organização. Afinal, um negócio é feito pelo trabalho de pessoas.

Porém, essa já é uma realidade no mercado de trabalho.

Segundo o Governo Federal, entre 2012 e 2016, os transtornos emocionais relacionados ao estresse foram a terceira maior causa de afastamento do trabalho

Assim, estima-se que 3,5% do PIB brasileiro seja perdido com gastos relacionados ao estresse no ambiente profissional.

Além disso, outras consequências que o estresse no trabalho pode trazer para as empresas e para os profissionais afetados pelo problema são:

  • Queda na produtividade e hábitos de produtividade tóxica;
  • Aumento na chance de acidentes no trabalho;
  • Aumento da sinistralidade, absenteísmo e outros indicadores prejudiciais à organização;
  • Baixa na qualidade do trabalho;
  • Alta rotatividade.

Por esses e outros motivos, a prevenção e os hábitos saudáveis de trabalho são a principal indicação. Se engana quem pensa que um ambiente de “alta pressão” é o melhor para ter grandes resultados. Muito pelo contrário. 

Isso porque, diversos estudos reforçam a importância da qualidade de vida no trabalho para uma melhor performance.

Indenização por estresse no trabalho

Sim, é possível que a empresa sofra processos e tenha que pagar indenização por estresse no trabalho.

Nesses casos, o colaborador que sofre com o problema deve comprovar que o quadro aconteceu por conta das circunstâncias do trabalho. Além disso, é preciso provar que existem consequências, como, por exemplo, a diminuição da capacidade de trabalho, alguma sequela, etc.

Isso porque, é dever da empresa proporcionar um ambiente que preze pela saúde e segurança no trabalho, como previsto no artigo 7°, XXII, no artigo 225 da Constituição Federal , também no artigo 157, inciso II da CLT. 

Ao descumprir essa norma e adoecer o colaborador, a organização pode enfrentar essas penalidades.

Qual a relação entre ansiedade e estresse no trabalho?

Assim como acontece para outras doenças ocupacionais, o estresse no trabalho pode ser uma porta de entrada para quadros mais severos de ansiedade. Isso porque, a ansiedade pode se manifestar como um quadro contínuo de estresse.

Ou seja, mesmo depois da pessoa ter deixado a situação estressante, a ansiedade faz com que seus sintomas permaneçam. Por isso, é muito comum que pessoas estressadas desenvolvam ansiedade relacionada a seus ambientes de trabalho.

Qual a relação entre a Síndrome de Burnout e o estresse no trabalho?

A Síndrome de Burnout é uma resposta do corpo a um nível extremamente elevado de estresse. Assim, quando acontece, o profissional já ultrapassou seu limite.

Por isso, apesar de serem condições diferentes, uma pessoa com altos níveis de estresse, se não tratados, está sujeita a desenvolver Burnout com o tempo.

Como identificar um colaborador com estresse?

As pessoas vivenciam o estresse no trabalho de formas diferentes e, portanto, reagem a ele de maneiras distintas também. Portanto, a melhor forma de identificar o estresse em um colaborador é a partir da observação

Alguns pontos a serem verificados nesse sentido são:

  • O colaborador teve uma mudança súbita de comportamento?
  • A equipe está sempre cansada?
  • Estamos recebendo muitos atestados, mesmo aqueles com CID diferentes?
  • Qual a relação dessa pessoa com seus colegas?
  • Ela anda fazendo muitas horas extras? Como está sua carga de trabalho?
  • Como andam os indicadores de desempenho da empresa?
  • Como está a inteligência emocional dele?
  • Nós promovemos um ambiente de trabalho saudável?

Como você viu quando falamos sobre os sintomas, não demora muito para as características do estresse se manifestarem entre a equipe. Por isso, o importante, se reparar que o time está estressado, é não normalizar a situação e fornecer ajuda.

Como evitar o estresse no trabalho?

As ações que envolvem uma empresa livre do estresse do trabalho incluem um trabalho contínuo que envolve, inclusive, a gestão ocupacional da empresa. Então, além de ações preventivas, é necessário promover um verdadeiro ambiente com bem-estar no trabalho.

Para isso, separamos 3 ações efetivas que os RHs das empresas podem promover para evitar o estresse ocupacional.

1 – Identifique as causas

Só é possível ser realmente livre do estresse no ambiente de trabalho ao entender a raiz do problema.

Ainda, mesmo que o estresse não seja claro na organização, ou seja, não existam indícios de colaboradores estressados, é ideal promover ações que ajudem a monitorar essa situação.

Isso porque, como você viu, o estresse é uma doença silenciosa e que infelizmente pode ser normalizada.

Portanto, para combater isso, é possível fazer pesquisas de clima e satisfação, além de contar com feedbacks (mesmo anônimos) para entender o clima da empresa.

Outra maneira simples e mais descontraída de fazer isso é por meio de dinâmicas de grupo

Uma ideia é reunir os colaboradores e distribuir folhas de papel entre eles. Nelas, eles devem escrever suas percepções sobre o clima organizacional da empresa e podem deixar sugestões.

2 – Incentive a saúde integral

É possível ter uma equipe mais saudável ao abordar os principais pontos que definem o bem-estar no trabalho. Nem sempre essa é uma tarefa simples, mas, como você viu ao longo deste artigo, é uma grande necessidade.

Para isso, então, é necessário olhar para a saúde integral da equipe. Ou seja, não apenas oferecer qualidade de vida em um ponto, como a saúde emocional, mas abordar o todo.

É possível colocar isso em prática, por exemplo, ao pensar em um programa de qualidade de vida no trabalho. Dentro dele, é importante pensar em três pilares fundamentais:

  • Saúde psicológica;
  • Saúde física;
  • Saúde nutricional.

A boa notícia é que a empresa pode contar com parceiros estratégicos que ajudem a trazer mais bem-estar para o trabalho. 

A orienteme é uma opção completa. Oferecemos, além de um mapeamento completo da saúde emocional, nutricional e física da sua empresa, com os níveis de estresse, ansiedade e depressão da organização, acesso a acompanhamento individualizado com profissionais para cada colaborador. Ainda, você terá ajuda constante para implantar outras ações que fortaleçam a saúde da equipe. 

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3 – Conscientize a equipe sobre práticas saudáveis de trabalho

Nada melhor do que contar com a própria ajuda do time para manter um ambiente de trabalho saudável. Por isso, a conscientização também é uma ação que ajuda a diminuir o estresse no trabalho, pois promove mudança de hábitos.

Assim, a partir do que for identificado na pesquisa de clima, é possível promover atividades efetivas para ajudar o time a ter mais equilíbrio no dia a dia e, portanto, afastar o estresse.

As ações podem ser rodas de conversa, informativos, e-Books, palestras, treinamentos, etc. Além de promover um momento de descontração e conexão entre os times, é possível desconstruir mitos e melhorar práticas diárias.

4 – Reveja a cultura organizacional

Como falamos, ambientes com altas cobranças, metas irrealistas e até mesmo estilos de liderança tóxicos podem interferir na felicidade e satisfação do time.

Portanto, uma revisão nos pilares da cultura organizacional da empresa pode ajudar nesse sentido. Isso porque, muitas vezes, sem o devido cuidado, a organização pode perder a atenção a esses pilares. Porém, é importante lembrar que são necessários para o engajamento, motivação e também para a redução do estresse no trabalho.

Nesse sentido, uma pesquisa de clima organizacional pode ajudar o RH a ter mais noção sobre a percepção dos colaboradores.

Tratamento para estresse no trabalho

Quando o caso de estresse já é considerado mais grave, o indicado é a mudança de hábitos, com a introdução de exercícios físicos, atividades de lazer e outros, além  da procura da psicoterapia, para tratamento mais imediato e evitar a piora dos sintomas.

Isso porque, é provável que, enquanto a pessoa estiver no local que a provoca estresse, sempre estará estressada. 

Portanto, além da conscientização da própria pessoa que sofre com o problema, são necessárias mudanças nas rotinas de trabalho e na forma com que as empresas tratam suas equipes.

Então, se identificar o estresse em algum colaborador ou em si mesmo, o primeiro passo é o afastar da situação estressante o máximo possível e oferecer ajuda psicológica. 

Um psicólogo é capaz de ajudar a pessoa em sofrimento a encontrar as melhores ferramentas para aliviar seus sentimentos e lidar com as situações desafiadoras do dia a dia.

Dados sobre estresse no trabalho

Apesar de ser um problema muito comum, nem sempre é simples visualizar os casos de estresse no trabalho no dia a dia. Para dimensionar a situação, alguns dados podem ajudar:

  • Segundo um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 90% da população mundial sofre com o estresse; 
  • De acordo com a Associação Internacional do Controle do Estresse (ISMS), o Brasil já assume o segundo lugar no mundo com o maior nível de estresse;
  • Uma pesquisa realizada pela Capita constatou que 45% dos entrevistados consideraram deixar um emprego devido ao estresse que ele gera;
  • Ainda segundo o mesmo estudo, 24% dos trabalhadores já precisaram recorrer ao afastamento do trabalho por estresse.

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A saúde é complexa, e a orienteme entende isso. Casos de estresse no trabalho, por exemplo, são, ao mesmo tempo, difíceis de identificar, mas ainda possíveis de prevenir e tratar. E, por isso, reforçamos que o RH não deve lidar com essa tarefa sozinho.

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