Qualidade de vida no trabalho

O que é triagem emocional? Conheça a ferramenta para lidar com o estresse

Daniela Haidar Chohfi -

Você sabe determinar qual o nível de estresse na sua empresa, ou até o seu próprio? É exatamente por isso que a triagem emocional está ganhando o mundo da psicologia organizacional como uma ferramenta tão promissora.

Isso porque, pode até parecer estranho à primeira vista, mas existem níveis positivos de estresse, em casos específicos. Entretanto, seu excesso pode ser a porta de entrada para diversas doenças, transtornos e para o enfraquecimento da performance na empresa.

Como tem o objetivo de identificar e prevenir esses problemas, reunimos o que você precisa saber sobre triagem emocional neste artigo. Vamos explicar:

  • O que é triagem emocional;
  • Qual a relação entre estresse e performance no trabalho;
  • Quais os fatores de risco para o desenvolvimento do estresse no trabalho;
  • Se triagem psicológica e triagem emocional são a mesma coisa;
  • Passo a passo para realizar a triagem emocional;

Boa leitura!

O que é triagem emocional?

A triagem emocional é um processo com o objetivo de identificar as emoções da equipe, seus níveis de estresse no trabalho e a situação emocional geral da empresa.

É um processo que envolve bastante observação, mas algumas ferramentas podem ajudar, como mostraremos mais abaixo.

Apesar de não compor um diagnóstico exato, esse procedimento pode ser chave para líderes e profissionais de RH identificarem indicadores importantes em seus colaboradores.

A triagem emocional faz uso de algumas ferramentas, como a escala de APGAR, criada para avaliar bebês recém-nascidos. A partir de técnicas práticas, o objetivo é ajudar a equipe a ter mais autoconhecimento e inteligência emocional. Ao mesmo tempo, líderes, colegas e departamento de Recursos Humanos conseguem identificar o estado da saúde mental do time com maior facilidade.

Qual a relação entre estresse e performance no trabalho?

Níveis baixos de estresse podem beneficiar algumas pessoas, como é o caso daqueles que tendem a procrastinar. Entretanto, em excesso ou com uma frequência muito alta, pode ser a causa de diversas doenças ocupacionais. E isso é mais comum do que se imagina.

Segundo pesquisa da Isma-BR (representante da International Stress Management Association), 72% dos brasileiros que estão no mercado de trabalho sofrem alguma sequela ocasionada pelo estresse. Desse total, 32% sofrem com Síndrome de Burnout

Assim, uma pesquisa da Capita descobriu que algumas das sequelas mais comuns, além das causadas por doenças e acidentes, são:

  • 44% afirmaram estar mais irritados no trabalho;
  • 25% aumentaram o consumo de álcool;
  • 28% confessaram descontar em familiares;
  • 15% aumentaram o consumo de cigarros.

Além disso, 92% das pessoas com a síndrome continuam trabalhando, seja por falta de conscientização, por necessidade ou até mesmo pela falta de cuidado de algumas companhias. Isso gera danos à saúde geral da empresa e prejudica indicadores, como o da sinistralidade.

Alguns outros dados que expressam ainda mais a seriedade disso são:

  • 45% dos entrevistados consideraram deixar um emprego devido ao estresse que ele gera;
  • 53% tiveram colegas que foram forçados a desistir do trabalho devido ao estresse;
  • 49% não acham que seu líder imediato saberia o que fazer se eles conversassem com ele sobre um problema de saúde mental.

Portanto, a triagem emocional é uma ferramenta que permite identificar e prevenir esses problemas, agindo para o bem-estar no trabalho.

Teoria dos Dois Fatores

Existem, ainda, outros conhecimentos complementares que ajudam a elevar a gestão ocupacional no dia a dia, como a Teoria dos Dois Fatores.

Também chamada de Teoria de Herzberg, ela defende que duas condições, relacionadas às circunstâncias do trabalho e às questões interpessoais, são responsáveis por definir o nível de satisfação e motivação do funcionário com a companhia.

Esse conceito surgiu a partir de um estudo feito nos anos 50 com colaboradores de indústrias em Pittsburgh, na Pensilvânia. O estudioso Frederick Herzberg propôs esse estudo para entender como as pessoas se relacionam com o ambiente de trabalho.

Em seus ensinamentos, ele dá lições valiosas às empresas sobre como manter seus colaboradores satisfeitos. Acontece que essa ideia também se relaciona com a triagem emocional, já que requer uma boa gestão ocupacional e atenção aos sinais de desengajamento e adoecimento entre a população da organização.

Portanto, de acordo com essa teoria, os negócios devem ter atenção a dois pontos:

  • Fatores higiênicos: que são externos ao colaborador e de responsabilidade da empresa, como salário, cultura da empresa, os benefícios oferecidos, oportunidades de crescimento e desenvolvimento, clima organizacional, espaço físico da empresa, relacionamentos interpessoais no trabalho, etc;
  • Fatores motivacionais: relacionados ao trabalho diário do profissional. Alguns exemplos são autonomia no trabalho, definição de objetivos, função desempenhada, reconhecimento, crescimento profissional, entre outros.

Leia também: Atestados com CID diferentes podem ser somados? Como funciona? [GUIA]

Quais os fatores de risco para o desenvolvimento do estresse no trabalho?

Um estudo da consultoria americana Towers Watson, com mais de 22 mil colaboradores em firmas de 12 países chegou à conclusão de que, em média, mais de 30% dos funcionários consideraram que seus ambientes de trabalho possuíam altíssimos níveis de estresse.

Esses riscos podem acontecer ou serem amplificados por alguns maus hábitos das empresas, que comprometem a saúde mental no trabalho, como:

  • Falhas na comunicação no trabalho;
  • Metas irreais;
  • Muitas mudanças de estratégias;
  • Lideranças ruins;
  • Sobrecarga de tarefas;
  • Condições ruins de trabalho;
  • Falta de qualidade de vida no trabalho;
  • Pouca colaboração entre equipes;
  • Competitividade excessiva.

Assim, todos esses pontos contribuem para o enfraquecimento do engajamento e da saúde em geral da empresa. Esses efeitos podem ser sentidos na forma do aumento de casos de ansiedade e até depressão no trabalho, além do estresse. 

Por isso a triagem emocional se mostra tão favorável, já que ajuda as organizações a terem parâmetros e prevenirem esses casos.

Triagem psicológica e triagem emocional são iguais?

Não, esses conceitos são diferentes. A triagem emocional é uma ferramenta desenvolvida para ajudar a melhorar o autoconhecimento e o reconhecimento das emoções, com base em outras técnicas já conhecidas pela medicina.

Já a triagem psicológica é um processo pelo qual a pessoa pode passar antes de iniciar um acompanhamento psicológico. 

Nesse momento, costumam ser feitas algumas perguntas para determinar como está a saúde emocional do indivíduo, qual sua história e quais ações e abordagens podem ser mais efetivas para seu tratamento.

Passo a passo para realizar a triagem emocional

Agora que você já entendeu o que está por trás do conceito de triagem emocional, mostraremos como aplicá-lo de forma prática no dia a dia. Confira!

1 – Primeira checagem

Esse passo exige um verdadeiro acompanhamento entre a equipe e a abertura para uma boa comunicação.

Assim, essa etapa consiste em criar um sistema de checagem constante da saúde do colaborador. Ou seja, é preciso sensibilizar a equipe em relação ao tema e à sua importância. 

A partir disso, podem ser feitas ações constantes, como feedbacks para perguntar como a pessoa está se sentindo. A observação também é chave aqui.

2 – Adaptação da escala de APGAR

De acordo com a metodologia que guia a triagem emocional, o estresse pode ser reconhecido a partir de cinco pilares: físico, mental, espiritual, emocional e social.

Para ajudar nessa tarefa, pode ser usada a ferramenta APGAR, que envolve uma análise mais direta e factual da situação da pessoa. A partir dela, o que deve ser observado é:

  • Aparência (físico): o colaborador teve ganho ou perda de peso, dores, distúrbios no sono ou começou a usar medicamentos?
  • Performance (mental): nas últimas avaliações de desempenho, quais foram os resultados dessa pessoa?
  • Crescimento (espiritual): o colaborador tem uma mentalidade de crescimento e um propósito no dia a dia?
  • Controle de emoções (emocional): a pessoa apresenta mudanças de humor, como picos de estresse e de raiva? 
  • Relacionamentos (social): como são as interações, tanto em quantidade quanto em qualidade? 

Considerando o passo anterior, o objetivo é ter uma visão mais ampla sobre a saúde corporativa e quais pontos são os mais importantes ao pensar em como melhorar o clima organizacional.

3 – Ação

Com base no que foi identificado, cabe à pessoa responsável pela triagem emocional criar um plano de ação para reparar os pontos que podem estar afetando a saúde mental no trabalho.

O ideal é que as atividades propostas realmente estejam de acordo com as necessidades identificadas e que abordem alguns pilares que formam a segurança psicológica no trabalho.

Algumas ações nesse sentido são:

  • Conscientização: o primeiro passo para promover qualquer aspecto relacionado aos problemas identificados na triagem emocional é fazer a equipe entender que o assunto da saúde mental no trabalho não é um tabu na empresa. Por isso, promover dinâmicas de grupo ou rodas de conversa sobre o assunto pode ser um bom primeiro passo;
  • Abertura ao diálogo: assim como no primeiro passo, a construção de um ambiente aberto a feedbacks positivos, construtivos e negativos é essencial. Isso deve estar presente entre todas as equipes e processos da organização;
  • Desenvolvimento de líderes: a qualidade de vida nas empresas também depende muito das pessoas que estão envolvidas nessa experiência. Para criar um ambiente aberto e inovador, o principal motor dessa mudança deve ser a liderança. Uma ideia é implantar programas de treinamento coletivos e individuais entre esses profissionais;
  • Acesso a benefícios de bem-estar: ao identificar um colaborador que pode estar apresentando algum tipo de sofrimento, o ideal é que ele tenha oportunidades de tratar esses problemas, e a psicoterapia, além de outros benefícios, é uma ótima opção para evoluir o time e prevenir quaisquer transtornos.

Para ajudar as organizações nesse sentido, uma das diversas soluções que a OrienteMe oferece é o mapeamento da situação emocional e nutricional da empresa

Através de questionários cientificamente validados, medidos os níveis de estresse, ansiedade e depressão das organizações, bem como outros indicadores nutricionais, e disponibilizamos os dados em um Painel Corporativo.

Dessa forma, o RH consegue entender de fato como está a situação da empresa. Através de atendimento individualizado, lives e outras ações personalizadas, também caminhamos lado a lado com as empresas para resolver esses desafios e proporcionar maior bem-estar à população interna. 

Confira a nossa página para empresas e entenda mais.

Como a OrienteMe pode ajudar a lidar com casos de estresse na empresa?

Somos uma plataforma que conecta colaboradores a uma vida mais saudável por meio de psicoterapia e orientação nutricional online.

Ao contratar a plataforma para a sua empresa, os trabalhadores ganham acesso a profissionais de psicologia e nutrição certificados e experientes. Ainda, o time da OrienteMe, além de acompanhar o bem-estar dos colaboradores, caminha junto à sua empresa para promover ações constantes que potencializam ainda mais a saúde dos funcionários.

Além disso, a equipe de RH tem acesso ao Portal Corporativo, um painel que permite acompanhar a evolução de diversos indicadores importantes para o RH, como índices de estresse, principais temas tratados e muito mais!
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